E Deus tornou-se visivel...
Revisão de posts
A minha recente especulação sobre o fotão-carga impôs a
revisão das minhas considerações sobre o pensamento de Einstein em relação à
luz. Assim, juntei alguns posts anteriores num só e procedi a algumas alterações
e acrescentos:
Einstein, desde muito cedo, se questionou se seria
possível alcançar um feixe de luz. Após ter tomado conhecimento da teoria de
Faraday-Maxwell, compreendeu que a velocidade da luz, a mesma da propagação das
ondas electromagnéticas, era inultrapassável. Por mais que um corpo seja
acelerado, nunca conseguirá alcançar um feixe de luz.
A teoria de Maxwell foi
desenvolvida para ondas e a luz (tal como a radiação electromagnética em geral)
não tem uma natureza completamente esclarecida. O seu comportamento
assemelha-se, em certos fenómenos, ao de ondas e, noutros, ao de partículas. É
difícil afirmar-se algo diferente sobre a natureza da luz dizendo que não se
trata nem de onda nem de partícula, porque não conseguimos imaginar mais nenhuma
outra possibilidade de propagação. Foi, quiçá, a inexistência de velocidades
superiores à de propagação da luz no vazio que terá levado Einstein à sua Teoria
da Relatividade Restrita que veio revolucionar os nossos conceitos de tempo, de
espaço, de massa e de energia.
Einstein aceitou que a velocidade de
propagação da luz no vazio era sempre a mesma e independente do observador.
Embora este facto fosse difícil de admitir, por violar os pressupostos da
mecânica de Newton e Galileu, ele ousou fazer um salto qualitativo e postulou
que a luz se propaga no vazio com velocidade finita e constante, quer medida de
um referencial em repouso, relativamente à fonte emissora, quer de um outro
referencial animado de velocidade, em relação à fonte de luz.
Comparando,
mentalmente, a trajectória da luz num referencial em repouso com a trajectória
relativa a um referencial animado de velocidade constante, Einstein concluiu que
a luz emitida num ponto A do referencial em movimento e recebida no ponto B
desse mesmo referencial ao fim de um certo intervalo de tempo (medido também
nesse referencial), quando vista do referencial em repouso, não pode atingir o
ponto B no mesmo intervalo de tempo, com medições feitas neste último
referencial.
Isto significa que a percepção que temos da passagem do tempo em
referenciais animados de velocidade relativamente a nós, é diferente: o tempo
passa mais devagar nos referenciais animados de velocidade, em relação a
nós.
A constância da velocidade de propagação da luz significará que ela não
é afectada pela velocidade do corpo emissor, ou seja, que a luz não é
constituída por partículas capazes de receber um impulso? Se a luz é constituída
por partículas, estas não têm então aquela propriedade da matéria a que chamamos
massa inercial? Haverá partículas sem inércia? Não há aqui uma contradição
fundamental? Como se comporta uma partícula sem massa? Claro que a uma tal
partícula já não se pode aplicar a mecânica de Newton porque esta pressupõe a
existência de partículas com massa.
Se a luz se propaga sempre à mesma
velocidade, isto apenas significa que requer sempre o mesmo tempo por unidade de
espaço, qualquer que seja o referencial considerado. A distância que medirmos
determina o tempo da propagação. Assim, por exemplo, o tempo necessário para a
luz percorrer a distância de 1 metro é dado pelo inverso da chamada velocidade
da luz e vale 3,33564 nanosegundos; em qualquer referencial de inércia! O
movimento do referencial onde se considera a propagação provoca uma variação da
distância percebida por um observador considerado em repouso. Há, portanto, uma
distorção da distância pelo facto de a propagação não ser instantânea. Esta
distorção do espaço acarreta também uma distorção do tempo porque a propagação
da acção necessita de 3,33564 nanosegundos por metro de distância entre emissor
e receptor. O movimento do referencial faz com que a direcção de propagação da
luz mude relativamente ao observador em repouso. Isto aconteceria, aliás, com
qualquer partícula que se movesse naquele referencial. Mas como a luz não é,
possivelmente, transportada por corpúsculos com inércia que possam absorver
energia cinética, ela apenas muda de direcção (uma vez que atinge o receptor),
mas a velocidade mantém-se. O efeito de Doppler prova que há variação da
frequência com a variação da distância entre o receptor e o emissor, isto é, o
que esta velocidade afecta é a energia da luz mas não a sua velocidade de
propagação. Suspeito que aqui se esconde algo fundamental para a compreensão da
mecânica da substância de que a luz é feita.
A dilatação do tempo para os
referenciais em movimento acarreta a relatividade da simultaneidade assim como a
contracção do espaço no sentido do movimento. A existência de uma velocidade
limite faz também com que as velocidades já não se possam compor por simples
adição de velocidades como se fazia na mecânica newtoniana, passando a usar-se a
chamada transformação de Lorentz, segundo a qual a velocidade limite nunca é
ultrapassada. Aplicando esta mecânica a corpos com massa constata-se que esta
passa a ser função da velocidade e tende para infinito se o corpo se aproximar
da velocidade limite. Tenho pensado, repetidamente, nestas conclusões da
Relatividade Restrita porque fico sempre com a sensação de que assenta em
qualquer coisa que não estava perfeitamente esclarecida: a natureza da luz. A
explicação tornar-se-ia mais óbvia se se conhecesse a verdadeira natureza da
luz? Será possível perceber a mecânica de partículas sem massa e haverá uma
mecânica que se aplique a todas?
A meu ver, a existência de uma
velocidade limite dos corpos com massa não foi, até agora, suficientemente
fundamentada. Ninguém demonstrou, sem utilizar a própria extensão da
Relatividade Restrita de Einstein, porque é que os corpos não podem ser
acelerados indefinidamente até ultrapassarem a velocidade da luz no vácuo. A
explicação é dada de forma recursiva com um resultado da própria teoria da
Relatividade Restrita: que a massa do corpo aumenta de tal forma que o efeito
das forças sobre a velocidade é cada vez menor; de acordo com a 2.ª Lei de
Newton o impulso de uma força é igual ao produto da massa pela variação da
velocidade. Logo, para um mesmo impulso, se a massa aumentar, a variação de
velocidade será menor.
Uma outra argumentação, feita pelo próprio Einstein, é
que as acções entre os corpos, ao contrário do que Newton supunha, não se
propagam instantaneamente, mas sim com velocidade finita. Deste modo, a
velocidade limite tem que ser a velocidade máxima de propagação das acções; pois
uma velocidade superior a esta serviria para propagar acções de forma ainda mais
rápida, o que é absurdo. E, como não se conhecem acções que se propagam a uma
velocidade superior à da luz, esta deve ser tomada como sendo a velocidade
limite no Universo. Esta justificação já é mais convincente. Seria, no entanto,
legítimo pensar que, apesar de ter de haver uma velocidade limite (a velocidade
máxima de propagação das acções), o facto de não serem conhecidas velocidades
superiores à da luz pode não excluir, mesmo assim, a sua existência. A causa da
constância da velocidade de propagação da luz, isto é, o facto de a velocidade
do sistema de referência não afectar aquela velocidade, poderia dever-se à
própria natureza da luz, melhor dizendo, da substância de que ela, se calhar, é
feita.
Feedback
O último post mereceu um apoio fantástico por parte da Cath,
apoio esse expresso nos seus comentários e num post que me dedicou e que, se por
um lado me estimula a continuar, por outro pode criar expectativas superiores às
que eu posso satisfazer. A ideia que expus sobre a relação entre o fotão e a
carga já ocupava o meu pensamento há bastante tempo mas nunca me atrevi a
expô-la porque faltavam-me evidências que a apoiassem. Estas foram-me fornecidas
exactamente pela Cath num post dela em que referia que a luz tinha um momento
angular cuja variação se assemelha a uma hélice em rotação em torno da direcção
de propagação. Com este apoio, já me foi mais fácil sustentar esta ideia que não
passa de uma hipótese sujeita a verificação teórica e prática. Teórica na medida
em que permita explicar um maior número de fenómenos e prática se as explicações
teóricas corresponderem àquilo que se observa de facto. Proponho então que se
baptize esta hipótese como a hipótese de Cath-Henrique e que seja sujeita a
verificação teórica e experimental. Bem, a Cath não se chama Cath na realidade
mas não revelo o nome sem autorização.
As propriedades da matéria(conclusão)
A carga eléctrica parece fazer
parte integrante da massa da partícula carregada. Mas, ao passo que a massa
gravítica é proporcional à massa e confunde-se com ela, a carga não é, podendo
haver partículas sem carga como o neutrão. Pode-se porém supor que a carga é uma
entidade sem massa que se encontra associada a certas partículas como o protão e
o electrão, ou seja, uma partícula também, mas uma partícula só com carga e que,
pelo facto de não possuir massa de inércia, ao ser actuada por uma força,
adquire instantaneamente a velocidade máxima. E esta presumível entidade
assemelha-se a quê? Acho que esta entidade se assemelha a um fotão que, segundo
parece, não tem massa em repouso e viaja à velocidade máxima. Além disso, como
na desintegração do neutrão se formam duas cargas, isso leva-me a crer ainda
que, se é o fotão que confere carga à massa, ele deve ser constituído por duas
cargas de sinal contrário que viajam juntas, rodando em torno da direcção de
propagação. Esta forma de visualizar a luz como sendo constituída por pares de
cargas de sinal oposto permite-me responder a questões que eu já tinha colocado
sobre a luz. Já poderia, por exemplo, associar a frequência da luz à velocidade
de rotação do par de cargas e também me parece razoável que a energia de um
fotão seja proporcional a esta velocidade de rotação, logo, à frequência da luz.
Esta interpretação não explica, porém, o aumento de massa que se mede na
desintegração do neutrão, a não ser que as cargas tenham alguma massa, ou seja,
que a massa do fotão não seja mesmo nula.
A terminar estas especulações,
gostaria de deixar aqui um pensamento que se perde no tempo e atribuído a Hermes
Trismegisto que alguns dizem ter sido um antigo rei do Egipto, ou ainda o
próprio deus Toth, deus do conhecimento, à semelhança de Hermes ou de
Mercúrio:
Ao mesmo tempo, as coisas foram e vieram do Um, desse modo
as coisas nasceram dessa coisa única por adopção.Não sendo um
místico, não posso deixar de suspeitar que havia uma forma de atingir
conhecimento que, embora muito abstracta, encerrava princípios que eram, antes
de mais, sentidos como uma possibilidade de chegar ao conhecimento concreto.
Claro que o conhecimento actual é mais concreto mas quem nos diz o que pensarão
no futuro sobre o nosso conhecimento?
As propriedades da matéria
O regresso às origens fez-me reler alguns
posts e resolvi pegar em três deles e republicá-los com pequenas alterações,
fruto da inexorável mudança que se vai operando em nós com o tempo. Mas, no
essencial, as ideias permanecem as mesmas e serão agora ampliadas num dos
próximos posts. Este servirá para nos situar melhor e dar uma visão de conjunto
de ideias dispersas.
Ou a matéria tem, para além da massa inercial,
outras propriedades responsáveis por forças (massa gravítica, carga eléctrica,
carga forte, carga fraca e, possivelmente, outras) ou a matéria só tem a massa
como propriedade fundamental (simultaneamente causa de uma força e resistência
às forças), podendo adquirir um certo número (finito?) de outras
propriedades.
Uma teoria unificadora baseada no facto de a massa ter duas
funções distintas (causa da força de gravidade e inércia) só será possível,
parece-me, com muitos truques matemáticos.
A primeira hipótese sugere,
intuitivamente, estarmos perante algo que funciona de forma receptiva, a massa
ou matéria pura, a que se junta algo que a fecunda (o quê?). A massa seria
passiva, ou seja, não seria sede de forças e esse “algo” que a fecunda actuaria
sobre ela activando-a, ou seja, conferindo-lhe a capacidade de interacção com
outras massas também activadas. Neste contexto, o papel desse “algo” seria
equivalente ao de fonte de vida da matéria, dando razão às teses
hilozoístas.
A hipótese de haver um número infinito de forças, não necessita
que a massa tenha duas funções distintas. A propriedade que é a causa de uma
certa força teria origem noutra força e assim, até ao infinito, dispensando a
existência de uma causa primeira. A beleza desta possibilidade é,
indubitavelmente, superior e se, tal como afirmou Einstein, Deus é requintado,
poderá ter optado por dotar a Natureza de um número infinito de forças, enquanto
manifestações de uma única Força. As forças proveriam de forças e originariam
outras forças, sendo todas elas adopções dessa Força única.
Peço desculpas
aos cientistas, mas julgo necessário falar deste tema de forma que todas as
pessoas o compreendam. Consideram-se as seguintes propriedades como responsáveis
pelas forças conhecidas de interacção da matéria: a massa, a carga eléctrica, a
carga fraca e a carga forte, em que as duas últimas só se manifestam em escalas
de distâncias muito pequenas (sub-atómicas).
Consideremos, como exemplo, a
propriedade da matéria a que se chama carga eléctrica. O que é a carga
eléctrica? Julgo que ninguém sabe mais nada sobre a carga eléctrica, a não ser
que é a propriedade da matéria responsável pela força de interacção eléctrica.
E, como a força eléctrica pode ser de atracção ou de repulsão, considera-se
também a existência de dois tipos de carga: positiva e negativa. Cargas do mesmo
sinal repelem-se e cargas de sinal contrário atraem-se. Note-se que, antes de
Faraday, o magnetismo se explicava do mesmo modo e considerava-se que a matéria
poderia ter, também, uma propriedade a que se deu o nome de massa magnética.
Verificou-se, depois, que o magnetismo é "criado" por cargas eléctricas em
movimento.
As partículas elementares mais conhecidas são o neutrão, o protão
e o electrão que entram na constituição dos átomos de todos os elementos. O
neutrão é, simplesmente, um grão de matéria com uma determinada massa. O protão
tem uma massa muito semelhante à do neutrão mas exibe carga eléctrica positiva
ao passo que o electrão possui carga eléctrica negativa e uma massa diminuta
quando comparada com a do protão ou a do neutrão - cerca de 1800 vezes
menor.
Sabe-se que o neutrão, ao fim de um certo tempo, se transforma
(espontaneamente?) num par protão/electrão e crê-se ou sabe-se (?) também que se
forma um neutrino. Mas acontece que a massa das duas partículas formadas é
superior à massa do neutrão. Haverá criação de massa a partir do nada? Ou o
neutrão é "fecundado"? Se o neutrão capta massa alheia, capta-a de onde ou de
quê? E o que é que dá origem às cargas eléctricas, ou melhor, à força
"eléctrica" que tende a juntar as partículas que se formam? O tempo que um
neutrão demora a transformar-se em protão e electrão não é sempre o mesmo, mas
tem um valor médio. O que é que se passará realmente nesta transformação? O
elemento fecundante, se existir, será a luz? Dar-se-á a transformação de luz em
massa? Também poderia ser o movimento mas, seja o que for, só pode ser uma
coisa: energia.
Ainda em relação às propriedades da matéria que designamos
por massa gravítica e carga eléctrica gostaria de chamar a atenção para uma
diferença importante entre elas, enquanto "causas de forças": ao passo que a
massa das partículas toma diversos valores e aparenta poder variar bastante, a
carga eléctrica do electrão e do protão têm um mesmo valor (de sinal contrário).
Assim, a carga de qualquer corpo carregado é sempre um múltiplo da carga
elementar. Será a massa gravítica uma propriedade contínua e a carga uma
propriedade discreta? Se assim é, porque é que a carga é discreta? E torno a
perguntar: o que é que dá origem à carga? (continua)
Será que a alma existe?
O acolhimento dado ao tema do peso da alma
justificou mais um post sobre o assunto n'O Velho da Montanha em que são
fornecidos links com notícias a esse respeito. Independentemente de existirem ou
não provas físicas irrefutáveis da existência da alma, haverá provas não físicas
da sua existência? Gostaria aqui de citar duas opiniões sobre o assunto. A
primeira é da minha amiga Meg que diz num email aos seus amigos: E
metafisicamente, quem precisa de massa ou peso? A segunda opinião, encontra-se
no mais recente livro de António Damásio, "Ao Encontro de Espinosa" que
transcrevo: ...
Quando deixamos que uma parte da nossa mente observe o resto
da nossa mente, de forma inocente e natural, sem a influência dos conhecimentos
científicos que hoje temos, as observações parecem revelar, por um lado, a
matéria física que constitui células, tecidos e órgãos do nosso corpo e, por
outro lado, o tipo de coisas em que não podemos tocar, os sentimentos e as
impressões visuais e auditivas que constituem os pensamentos da nossa mente e
que nós presumimos, sem qualquer evidência que apoie tal presunção, que são
feitos de uma outra espécie de substância, uma substância não física. (Pág.
211).
Do peso da alma
Não. Não se trata de misticismo barato. Já tinha tido
conhecimento, através de A Base do Optimismo que há um filme chamado 21 gramas
em que se explora uma "descoberta" realizada em tempos por um médico alemão
segundo a qual, no momento da morte, qualquer pessoa perde, exactamente, 21
gramas. O blog O Velho da Montanha acaba de lançar-me um desafio amigável no
sentido de me pronunciar sobre o que penso sobre este tema. Claro que estarei a
dar uma pequena contribuição para a divulgação do filme que é candidato a
óscares. Eu próprio nem tencionava ver o filme mas agora talvez venha a vê-lo.
Mas vamos ao que interessa, ou seja, como encaro eu esta questão.
Alma é
aquilo que anima, que dá vida. Será que tem peso? Descansem, não vou dar uma de
sabichão a explicar a diferença entre a alma e o espírito e expor teorias
filosóficas sobre a alma. Tentarei tão somente discorrer sobre o tema do peso da
alma, entendendo-se como alma a diferença existente entre um corpo auto-animado
e o mesmo corpo inanimado. Como exemplo, lembremo-nos da morte de Miklos Fehér
que tanto nos chocou.
Se, tal como o tal médico alemão constatou, todo o
corpo animado perde 21 gramas quando passa de animado a inanimado e esses 21
gramas não se podem atribuir a nada (transpiração, vapor de água expirado, perda
de fluidos, etc.), há, sem dúvida, transformação de massa noutra coisa qualquer.
Em quê? Antes de mais não sabemos mas, exactamente porque não sabemos,
poderíamos tentar descobrir valendo-nos de hipóteses e testando essas hipóteses.
No final de tudo, se nada descobríssemos, o mistério permaneceria sem explicação
e, quem sabe, talvez um dia viesse a ser desvendado. É esta a postura
científica.
Do ponto de vista da nossa compreensão poderá aquilo a que
chamamos alma ter peso, ou seja, algo fisicamente detectável que se possa
considerar como a diferença entre o corpo animado ou vivo e o inanimado ou
morto? O corpo vivo é aquele que está apto a transformar a energia que tem
armazenada em trabalho. Logo, o corpo vivo perde energia que recupera pela
ingestão de alimentos que servem de combustível. É de supor que a capacidade de
transformar energia em trabalho seja o resultado de um sistema sofisticado (a
que se dá o nome genérico de sistema nervoso), encarregue de gerir a máquina
corporal.
Nos sistemas físicos animados já implementados pelo homem
reconhecemos que a diferença entre uma máquina a trabalhar e a mesma máquina
parada é a que resulta da posição de um simples interruptor e um interruptor
aberto ou fechado tem o mesmo peso. Por esta analogia seríamos levados a pensar
que, se a alma é o interruptor geral do sistema de controlo do corpo, não seria
de esperar que pesasse.
Em tempos escrevi o seguinte:
É bem possível
que a matéria, mesmo a mais elementar, para além de ter vida, tenha consciência
e inteligência. De facto, as forças de interacção da matéria são tais que
conduzem à geração da vida. A matéria passa a poder actuar sobre si mesma, isto
é, torna-se capaz de produzir forças cujas causas deixam de ser simples
propriedades autóctones e frias. Se a matéria "inerte" se pode juntar de forma a
produzir seres vivos, ela contém, provavelmente, o gérmen da vida! Este gérmen
da vida deverá estar relacionado com a forma como a matéria interage, ou seja,
com as forças que geram os movimentos das formas mais simples de
matéria.
Um blog cheio de sabedoria
Um outro blog surgido na mesma altura que
este foi o d'
O
VELHO DA MONTANHA. As motivações do autor foram, segundo ele, semelhantes às
minhas. Já o devia ter linkado há mais tempo uma vez que sou um seu frequentador
assíduo. Por esta falha, peço que me desculpe. É um blog de sabedoria feita de
cultura associada à experiência. Outra particularidade muito simpática do blog,
isto é, do seu autor, é que ele bloga quando muito bem lhe apetece e se tem algo
a partilhar com os outros. E nem por isso deixamos de o seguir porque não há
post algum onde não esteja mais uma reflexão temperada de saber e experiência.
Tive, e ainda bem, uma educação espartana que, entre outras coisas, me ensinou a
respeitar os mais velhos e a aprender com eles. Mas, infelizmente, pertenço
também à geração que não soube transmitir essa mesma educação aos seus
descendentes e que, por isso, sofre agora as consequências desse desleixo.
"Filho és, pai serás. Assim como fizeres, assim acharás."
Um blog que nos quer deixar, ou talvez não
O blog
Em Expansão
Vertiginosa de António Luís manifesta a intenção de se afastar da
blogosfera. Mas deixa a porta entreaberta. É um blog da mesma idade deste e os
dois encontraram-se quase à nascença. Travámos conversas muito interessantes,
António Luís presenteou-nos com artigos de craveira universitária e aprendemos
muito com ele. É um humanista e, como tal, é uma pessoa aberta à discussão das
ideias, mesmo que por vezes o interlocutor não tenha a mesma bagagem científica
que a dele. Interessado em quase todas as áreas do saber, conduziu-nos para
temas nunca antes explorados. Devo-lhe a descoberta de António Damásio, foi ele
que me despertou o interesse por este autor e estou ainda longe de poder emitir
opiniões nesta matéria. No post de despedida (talvez temporária) agradeceu a
atenção que eu lhe prestei, assim como a da
Cath e de
Almocreve das
Petas. Mas, no meu caso, não tem que agradecer. Eu é que estou imensamente
grato por ter podido conversar com alguém mais avançado no saber. E cá ficamos à
espera que a decisão não seja definitiva e, quem sabe, pode ser que uma vez por
outra sinta mesmo vontade de participar nesta tertúlia. Julgo, porém, que a
tertúlia só se poderá manter se houver quem avance com ideias novas mas num
clima de tolerância e sem ofensas pessoais. A ver se é possível mantermo-nos
calmos e, porque não, amistosos e cooperantes, mesmo quando não estamos de
acordo uns com os outros. Então, até qualquer dia, António Luís.
Para além dos blogs
Espero poder manter este blog por mais algum tempo
ainda. O primeiro post foi publicado em 29 de Junho, ou seja, há cerca de sete
meses. Sirvo-me dele para registar pensamentos que, de outro modo, nem teria
escrito e sobre os quais raramente encontraria alguém disposto a ouvir.
Considero que é uma vantagem poder-se escrever e haver quem oiça, mas é muito
melhor que haja quem leia. Porque, ao pôr o pensamento por escrito, presta-se
alguma atenção ao que se diz e quando se lê e não se percebe, pode-se voltar
atrás e reler sem incomodar o interlocutor, isto é, a comunicação é, ou poderia
ser, menos ambígua. É óbvio que os mal-entendidos sucedem e nunca podemos estar
seguros quanto às motivações de quem escreve. Devemos cingir-nos, pois, ao que é
objectivo e não extrapolar para além daquilo que, sem qualquer sombra de dúvida,
está escrito. Tudo o resto devia ser ignorado. Confesso que, por vezes, também
me esqueço de observar esta regra e entendo mal o que se diz daquilo que
escrevo. Aconteceu no caso do blog
Universos Assimétricos a
quem já pedi desculpas nos comentários. Reitero as desculpas com a mesma
visibilidade com que reagi à referência, afinal amistosa, a qual nem sequer
agradeci ainda. Um obrigado, pois, a
perplexo.
Leituras dominicais
Estou a ler, já há bastante tempo,
Ao Encontro de
Espinosa de
A. Damásio, acabei hoje o 2.º capítulo (Apetites e
Emoções) e vou entrar no 3.º (Os Sentimentos). Muito resumidamente e sem
preocupação de rigor, o estímulo emocional competente é avaliado e desencadeia a
emoção, sendo que esta precede o aparecimento dos sentimentos. Mas hoje passei
na livraria e fui à procura de mais alguma raridade. E encontrei um livro da
editora
Pergaminho que vem mesmo a propósito: chama-se
QE, O que é a
Inteligência Emocional e foi escrito por duas alemãs
Doris Martin e Karin
Boeck que pretendem ter escrito um livro destinado a pedagogos. Lê-se nas
primeiras páginas do livro:
...
De entre os que apresentam as
provas mais contundentes acerca do funcionamento combinado da razão e das
emoções, encontra-se o neurologista português António Damásio. Um dos pacientes
de Damásio, Elliot, era o protótipo do americano bem sucedido. Até ser afectado
por um tumor cerebral. O tumor, que era benigno, pôde ser extirpado, mas não sem
afectar os lóbulos frontais do neocórtex.
...
Realizando investigações em
doentes como Elliot, ocorreu a Damásio olhar a questão de um outro ponto de
vista: não poderia a ausência de sentimentos acarretar, por seu lado, um
comportamento irracional?
...Mas tenho, pelo menos, mais 3 livros
começados. Um, de que ainda não vos falei, tem sido um livro de leitura
agradável e fácil. É um romance ou um conto longo escrito por uma professora de
física do ensino secundário,
Teresa Direitinho, publicado em Agosto de
2003 pela
Oficina do Livro. O livro chama-se
O Princípio de
Atracção e foi-me recomendado por um leitor deste blog por email. Obrigado
caro leitor. Estou a gostar de ler a história da adolescente Laura e de seus
amigos ingleses no Alentejo. Uma frase do livro: "Comecei a ganhar uma certa
consciência do relativismo das coisas e como elas se transformavam de acordo com
o ponto de referência a partir do qual as observava." De uma professora de
física, o título do livro não é de estranhar. Mas também vi, na livraria um
romance intitulado
Princípio de Incerteza de Agustina
Bessa-Luís.
Energia pessoana
...
Toda a energia é a mesma e toda a natureza é
o mesmo...
A seiva da seiva das árvores é a mesma energia que mexe
As
rodas da locomotiva, as rodas do eléctrico, os volantes dos Diesel,
E um
carro puxado a mulas ou a gasolina é puxado pela mesma
coisa.
...
Álvaro de Campos in
Passagem das Horas
Aproveitamento da energia II
O post anterior refere-se àquilo a que
podemos chamar superstição ou crendice. Para muitas pessoas a religião não é
mais do que uma crendice organizada, isto é, cada religião elege um conjunto de
superstições em que os fiéis podem e devem acreditar, excluindo outras
consideradas heresias mas que talvez sejam admitidas noutras religiões. É óbvio
então que, se uma comunidade tiver crenças que aos olhos de outra são heresias,
estas duas comunidades assumem-se como inimigas. Deste modo, as religiões, longe
de contribuirem para que as pessoas se religuem, contribuem para um maior
afastamento das comunidades humanas, contrariando de modo absurdo os ideais
humanísticos que proporcionaram a expansão dessa própria religião. Digamos que
há um aproveitamento da energia potencial dos ideais humanísticos.
Noutro
plano da existência humana há uma forte carência de energia, isto é, de trabalho
físico e outras manifestações da energia que permitam ao Homem ter uma vida mais
facilitada e liberta para actividades mentais. Julgo que só esta aspiração pode
justificar a libertação do homem em relação ao trabalho. Assistimos, porém, a um
desenvolvimento incompreensível das sociedades que, ao invés de proporcionar
esta libertação com a promoção da cultura e de valores espirituais elevados,
canaliza as pessoas para o lazer e prazer. Sabemos que este desenvolvimento se
deu noutras épocas quando essa libertação se deu à custa da escravatura. A
classe livre, embora contando no seu seio com pessoas viradas para a criação
mental (uma minoria), opta pelos prazeres da carne, pelo luxo e ostentação, pelo
crime, pela guerra, pela destruição dos valores humanísticos, pela maldade, pela
segregação racial e religiosa, pela xenofobia que assume diversos contornos, em
suma, por aquilo que eu sinto como o Mal. Haverá também energias do Bem e do
Mal? Haverá forças boas e forças más?
Aproveitamento da energia I
Aproveitar energia. Há diferentes maneiras
de aproveitar a energia e começarei por certos aproveitamentos que considero
ilícitos. O termo energia ou energias tem sido aproveitado por algumas correntes
que, valendo-se daquilo que a palavra sugere (possibilidade de produzir um
efeito sob a forma de trabalho útil), põem no imaginário de pessoas crédulas a
existência de "energias" capazes de produzir efeitos inexplicáveis e que,
eventualmente, podem ser controladas e manipuladas através de "conhecimentos" de
cariz secreto e que nada têm a ver com a ciência estabelecida. Esses
conhecimentos estariam de tal modo a salvo da curiosidade dos cientistas que só
com o recurso à "fé" seriam acessíveis. Pois, nesse caso, quem melhor que os
cientistas para compreender essas forças? O verdadeiro cientista é uma pessoa de
muita fé. Mas, ao mesmo tempo, a prudência aconselha que se deve lidar
cautelosamente com fenómenos em que não se cumprem certas regularidades que, em
fenómenos já mais conhecidos, constituem uma base sólida de abordagem. As leis
da mecânica, por exemplo, aplicam-se em qualquer ponto do espaço conhecido e em
qualquer altura. Isto significa, por exemplo, que o movimento de um corpo é
descrito pelas mesmas leis no Burundi ou no Alasca, em Fevereiro ou em Agosto.
Mas o que pode um cientista dizer acerca do conhecimento que diz que "passar
debaixo de uma escada dá azar?" Passar debaixo de uma escada desencadeia
energias capazes de alterar o curso normal dos acontecimentos?
Retomando o tema da energia
Geralmente gosto de manter uma certa
sequência naquilo que vou escrevendo e é raro saltar bruscamente de um assunto
para outro, salvo se se tratar de uma nota sobre algum livro ou sobre um
acontecimento onde julgo que posso fazer um breve comentário.
No tocante
ao tema da energia, o qual já mereceu vários posts, viu-se que o trabalho
exercido sobre um corpo altera-lhe o conteúdo energético, classicamente composto
por duas parcelas: a energia potencial e a energia cinética. A energia potencial
de um corpo é negativa e anula-se na ausência de "campo", isto é, quando o corpo
está fora da acção de outros corpos. A energia cinética está ligada à velocidade
do corpo. A relatividade restrita põe em evidencia que a própria massa do corpo
(massa em repouso) equivale também a energia. Para além destes três tipos de
energia, potencial, cinética e mássica, haverá outros tipos de energia essencial
(a térmica, p.e., resulta da cinética) ainda não considerados? Qualquer dos
tipos referidos pressupõe um corpo, ou seja uma massa. Poderá haver energia sem
massa, isto é, sem uma localização espacial definida? O que é a luz? Uma
partícula (massa) muito pequena? É energia pura? Como conceber energia sem
suporte? É uma onda? Onda de quê? O que é que ondula? Estas e outras questões já
tinham sido aqui postas a propósito da velocidade da luz mas permanecem, para
mim, um dos grandes mistérios da natureza.
Nos próximos posts continuarei
a falar de energia. E, num futuro próximo, abordarei o tema da conversão das
energias em trabalho benéfico.
O sapateiro a opinar para além do chinelo
Assim me classifica o blog
Universos assimétricos por
eu ter dito que
p é (ou devia ser) constante. Pois o
"devia ser" entre parêntesis serve exactamente para salvaguardar que, se
considerarmos a contracção de Lorentz,
p não é tão
constante como isso. Em vez do ataque cruel, porque é que, na qualidade de
especialista da relatividade restrita, não explica aos sapateiros?
Novos blogs
Adicionei à minha lista de blogs os seguintes blogs:
O Blog de todos os físicos que,
por sua vez, também faz link para o blog da
Cath;
O Blog do Alex que vai em crescendo;
Probabilidade
subjectiva descoberto por acaso e
Universos desfeitos a que
cheguei através de outros da minha lista. Vale a pena visitá-los.
Miklos Feher
Associo-me à tristeza geral.
A Física da Imortalidade
"Frank Tipler é professor no Departamento de
Matemática da Universidade de Tulane em Nova Orleães. Escreveu dois livros: The
Anthropic Cosmological Principle e este, A Física da Imortalidade." - lido nas
badanas do livro objecto do repto lançado nest blog. A primeira edição
portuguesa do livro, de que tenho um exemplar em meu poder, foi feita pela
Editorial Bizâncio em Setembro de 2003. Tradução de Carlos Sousa de Almeida e
revisão científica de José Félix Costa, Instituto Superior Técnico, Departamento
de Matemática.
Deixo os meus comentários para depois de ter lido, ou pelo
menos ter tentado ler, o referido livro. A minha primeira impressão resume-se
assim:
Matrix.
Voluntários precisam-se

Vide aqui:
PAZ NA ESTRADA.
Será que Deus já se tornou visível?
ESTE LIVRO É UMA DESCRIÇÃO da
Teoria do Ponto Ómega. Trata-se de uma teoria física testável, que concebe um
Deus omnipresente, omnisciente e omnipotente que um dia, num futuro distante,
virá ressuscitar cada um de nós para vivermos eternamente numa morada que, no
essencial, é o Céu judaico-cristão. Todos os termos que entram nesta teoria -
por exemplo, «omnipresente», «omnisciente», «omnipotente», «ressureição
(espiritual) do corpo», Céu - serão apresentados como puros conceitos físicos.
Neste livro, não farei qualquer apelo à Revelação. Recorrerei sim, em vez disso,
aos sólidos resultados da ciência física moderna; o único apelo que farei será a
razão do leitor. O que descreverei será o mecanismo físico da ressureição
universal. Mostrarei exactamente a forma como a física permitirá a ressureição
para a vida eterna de todos aqueles que viveram, vivem ou venham a viver.
Mostrarei exactamente porque é que este poder de ressuscitar que a física
moderna permite vai realmente existir num futuro distante, e por que razão ele
será de facto utilizado. Se algum leitor perdeu um ente querido, ou teme a
morte, a física moderna diz: «Console-se: tanto você como eles viverão de
novo.»Saberão os meus estimados leitores quando é que isto foi
escrito e por quem? De que livro se trata?
A propósito da Matemática
Recebi, há um mês atrás, um livro de um
matemático de nome Gregory J. Chaitin, investigador da IBM. O título do Livro é
"Conversas com um matemático" (faz lembrar outros) com o subtítulo "Matemática,
Arte, Ciência e os Limites da Razão". Reúne-se neste livro um conjunto de
conferências e entrevistas do autor destinadas ao grande público. Aborda
questões de filosofia da matemática, semelhanças e diferenças entre a matemática
e a física e a matemática como arte. Deixo em baixo indicações sobre dois
colóquios com a presença do autor para lançamento do referido livro em
Portugal:
22 de Janeiro, 16.30 horasAnfiteatro do Complexo
Interdisciplinar da Universidade de Lisboa
(Av. Prof. Gama Pinto, n.º 2,
Lisboa)
Colóquio «Against Real Numbers»
(com a colaboração do Centro
de Matemática e Aplicações Fundamentais)
23 de Janeiro, 15.00
horas
Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra
(Paço das
Escolas, Coimbra)
Colóquio «Is the Universe Intelligible?»
(com a
colaboração do Instituto de Investigação Interdisciplinar, do Centro de
Matemática e do Centro de Física Computacional da Universidade de
Coimbra)
Esta informação foi-me enviada por Gradiva Publicações
Lda..
Porquê simples se pode ser elegantemente complicado?
No último post
introduzi, por assim dizer, o tema dos formalismos matemáticos que visam a
generalização e a sistematização da mecânica clássica. Qual a necessidade destes
formalismos? No fundo, a sua utilização, de aparência bastante complicada, visa
reduzir a complexidade e tornar a aplicação das leis da mecânica a situações
práticas mais fácil. Como assim? Por exemplo, fazendo com que as equações sejam
formalmente idênticas, independentemente da origem do referencial considerado ou
do sistema de coordenadas escolhido. Ou permitindo a aplicação a problemas que
envolvam vários corpos ou a corpos impedidos de se mover livremente, como por
exemplo, um pêndulo.
No formalismo de Lagrange, p. e., define-se uma função
que é a diferença entre a energia cinética e a potencial: o lagrangiano, L. E,
seja qual for o sistema de coordenadas utilizado, pode escrever-se sempre
que:
Para quem conhece o
suficiente de matemática, nomeadamente de derivadas parcias e totais e queira
rever ou aprofundar mais, veja
aqui. De notar que q tanto pode ser uma coordenada cartesiana
(x) como um ângulo (
q). O q com o ponto em cima é a
derivada de q em ordem ao tempo.
A energia e a Matemática
Já aqui se falou da energia sob o ponto de
vista clássico e sob o ponto de vista da teoria da relatividade restrita. Em
resumo, viu-se que a mecânica clássica associa a um corpo dois tipos de energia:
a cinética e a potencial. A soma das duas deve permanecer constante no tempo
para cada observador, embora possa ser diferente de observador para observador.
Por exemplo, se dois carros se deslocam à mesma velocidade um contra o outro
numa estrada sem declive, cada carro vê o outro com o quádruplo da energia
cinética que cada carro possui em relação a um observador parado, sendo as suas
energias potenciais iguais pois ambos se encontram à mesma altitude.
A
relatividade restrita não leva em linha de conta a energia potencial.
Estabelece, porém, a equivalência entre massa e energia e considera a energia
total de um corpo como a soma da energia em repouso com a energia cinética. Isto
significa que a relatividade restrita é uma abstracção, abstraímo-nos da energia
potencial. Isto é, consideramos os corpos numa região do espaço longínqua, fora
da influência de quaisquer outros corpos e mesmo eles não actuam entre si. Como
é óbvio, esta região simplesmente não existe. Em qualquer região do espaço, a
acção de outros corpos faz-se sentir e os corpos interactuam; têm, pois, uma
energia de posição que não é tida em conta na relatividade restrita.
A
discussão dos problemas em termos de energia é, a meu ver, de um nível superior
ao da discussão em termos de forças, movimento e trajectórias. O blog
Expansão Vertiginosa
defendia
aqui exactamente a existência de diferentes níveis de
compreensão da natureza. Eu acho que a compreensão em termos energéticos é de
nível superior àquela que se detém apenas no estudo pormenorizado de
trajectórias. Daí que tenham surgido formalismos que partem exactamente de
relações energéticas. Pertencem a esta categoria os formalismos matemáticos de
Lagrange e Hamilton que acabam por se relacionar e que visam a generalização e
sistematização da mecânica newtoniana, de uma forma de certo modo
parecida com o que as equações de Maxwell fazem relativamente às leis do
electromagnetismo.
Sai um, entra outro
Tenho pena quando retiro um link mas, quando
constato que o blog deixou de operar, não me resta outra solução. Foi o caso de
Filosofia Natural. Descobri outro blog que vai ocupar o lugar vago: é o
Arqueoblogo que
também linkou este, chamando-lhe votivo. Devotivo não seria mais apropriado? É,
como o nome sugere, um blog sobre arqueologia. Apesar de eu ter uma péssima
memória, gosto de ler trabalhos de pesquisa do passado. E gostei do pouco que já
li.
Psicologia e Psicanálise
Comentários sem mais comentários ao post
Imutabilidade das leis da Natureza:
Meg - O Henrique
não vai acreditar com que prazer estou lendo este post, e sua apresentação no
post anterior. Com a devida vénia, venho reafirmar, o que parece óbvio, mas é
esquecido freqüentemente e o Henrique bem lembrou: Como dizia Pascal: a verdade
é filha do Tempo ... e eu acrescentaria do *seu* Tempo. E muito interessante
também é ter-se em mente, que o século 19 é essencialmente o século cienticista
por excelência, há um desejo "vocacional" de que os conhecimentos se tornem
ciências e as ciências ainda mais científicas...Não à toa é o século onde a
Psicologia se desprende da Filosofia e infressa-se no "Psicologismo" , o
desejo de que a
Psicologia seja mesmo uma ciência exacta (Pure Science) .
É o século de Freud! Muito bem empregados esses 2,5 euros! digo com singela
franqueza e admiração. Um grande abraço, querido Henrique, para si e para seus
leitores. Passe depois lá no SubRosa, se faz favor, há algo para si: Meg.
Wolf - Não sei se ficou
claro, porque tive dúvidas, mas o século de Freud a nível de
psicologia
foi o século XX. Incluir o Freud na linha da cientificidade da
psicologia
é muito mal pensado porque, como se sabe, a
psicanálise está longe de
empregar o método experimental. Cientificidade da
psicologia equivale a
falar em Pavlov (reflexologia) e Watson (behaviorismo).
Henrique - Meg: Obrigado
pela sua visita. Concordamos que "a verdade é filha do seu tempo". E nesse tempo
havia uma necessidade maior de "justificar" e defender a ciência perante a
sociedade e o poder político e religioso. Wolf: não sou muito dado à
psicologia, claro que conheço Freud e Jung mas prefiro Espinoza e A.
Damásio. Julgo que terá razão ao dizer que o séc. da moda da
psicanálise
é o XXº.
Meg
- Henrique perdoe-me por responder aqui ao Wolf: Perdão pela demora, tive
problemas de conexão (oh isso!) e só agora pude ler seu comentário: Perdão se
deixei transparecer - se isso aconteceu fiz um mau uso de termos - mas eu
referia-me mesmo ao séc. 19 - referia-me ao solo epistemológico decorrente das
transformações da rev. Industrial, a Freud aluno de Charcot, etc. Não, nada de
psicanálise, mas de
psicologia que luta por se libertar da
Filosofia e constituir-se num corpus científico independente. É o séc. da
aspiração à Ciencia tout court, como se vê pelo conteúdo do livro, um belo
exemplo escolhido pelo Henrique! Não se tem uma Psiquiatria sequer pois estes
saberes estão a ser produzidos: Freud é ele mesmo um neurologista. Espero ter
esclarecido essa sutil diferença. E faz muito sentido sim, concordo que a
aspiração à "cientificidade" como bem diz o Wolf é ainda uma aspiração do séc.
XX e o papel desempenhado pela nascente
Psicologia, é as vezes jogado
por maus psicanalistas, até hoje!: Um abraço.
Os itálicos e
sublinhados são meus.
Imutabilidade das Leis da Natureza II
Tinha prometido transcrever todo o
capítulo mas a partir de certa altura o autor apenas tenta reforçar a sua
opinião valendo-se de outras fontes de inegável autoridade. O referido capítulo
continua deste modo:
...A superstição desapareceu de entre
os povos civilizados e cedeu lugar ao saber. Podemos declará-lo hoje com pleno
conhecimento de causa e com a maior certeza científica: não há milagres; tudo
quanto sucede, sucedeu e sucederá de um maneira natural, isto é, em
virtude da acção regular ou do jogo das substâncias que existem desde toda a
eternidade e das substâncias que existem desde toda a eternidade e das forças
que lhes são imanentes. Nenhuma revolução da Terra ou do Céu, por mais terrível
que tenha podido ser, se efectuou de uma outra maneira; nenhuma mão poderosa,
descida dos espaços etéreos, levantou montanhas, transportou mares, traçou
caminho aos astros ou criou o homem e os animais segundo a ideia ou o prazer de
um ser qualquer, mas isso sucedeu pelo jogo dessas mesmas forças que ainda hoje
vemos deslocar montanhas e mares, regular o curso dos corpos celestes e suscitar
a vida; e tudo isso se efectuou em virtude da mais rigorosa necessidade. Onde
quer que o fogo e a água se encontrem, produzem-se necessàriamente vapores e a
sua força irresistível exerce-se em derredor. Onde quer que dois corpos dotados
de afinidade um pelo outro se encontrem em certas condições, é preciso que se
unam; e em outros casos, que se separem. Quando um organismo sofre de um mal
incurável, é conveniente que morra, etc. Como se poderia duvidar destas
verdades! Todo o homem que tenha observado, mesmo do modo mais superficial, a
natureza e o que em torno dela vê, e que tenha uma ideia, mesmo sucinta, das
conquistas das ciências naturais, ficará firmemente convencido da necessidade e
da imutabilidade da natureza.
...
«As leis da Natureza - escreve Vogt -
são forças bárbaras, inflexíveis, que não conhecem nem moral nem benevolência».
«A Natureza - escreve Du Prel - nem é cruel nem amável, nem boa nem má; é
simplesmente conforme às leis, e nem um só átomo, em todo o Universo, se move
fora dessas leis»....
...
«A natureza - diz Feuerbach - não responde às
queixas e às súplicas do homem: ela repele-o inexoràvelmente sobre si
próprio».
...
Cita ainda muitos outros autores mas destaco por fim,
esta citação:
...
«É minha convicção - dizia já o grande
Kepler - que se deveriam esgotar todos os outros meios de explicação antes de se
recorrer à criação (isto é, ao milagre); porque com esta ideia não há lugar para
a discussão científica»In "Força e Matéria", Luís Buchner, Editora
Lello & Irmão, Porto, 1958.
Simetrias, transformações, invariâncias, princípios de conservação e
constantes universais
Antes de prosseguir com a ordem natural do blog e a
propósito de uma recente troca de impressões com
Wolf e o
Bom Selvagem,
resolvi fazer um post sobre o assunto em epígrafe.
Qualquer princípio de
conservação está ligado com uma simetria fundamental do universo. A invariância
de uma lei traduz um princípio de conservação e é sempre relativa a determinada
transformação. Por exemplo, a homogeneidade do espaço é uma simetria e a
translação no espaço é uma transformação em relação à qual pode haver
invariância de uma lei. Mas existem mais simetrias, mais transformações,
invariâncias e princípios de conservação em relação a transformações diversas.
Uma transformação que me tem ocupado particularmente o pensamento é, por
exemplo, a mudança de escala, sobre a qual já conjecturei diversas vezes neste
blog.
As chamadas constantes universais como, por exemplo, a constante de
gravitação universal (G), a constante de Planck (h), a constante de Boltzmann
(k), etc., são, como o nome indica, universais, isto é, são insensíveis a todas
as transformações. Nestas também se costuma incluir a velocidade da luz no vácuo
(c) uma vez que desde Einstein ela desempenha um papel muito importante na
Física. Não esquecer porém que c resulta de outras duas "constantes" (constante
dieléctrica e permeabilidade magnética do meio). Quase todas as constantes
físicas têm dimensões e, como tal, variam se alterarmos as unidades de medida,
sendo que estas correspondem a escolhas mais ou menos arbitrárias. Existem porém
constantes adimensionais, como por exemplo o
p ou a
chamada constante de estrutura fina (de que João Magueijo fala no seu livro).
Estas não dependem da escolha de unidades e são (ou deviam ser) constantes. Se
se constatar que a constante de estrutura fina varia, isso pode indiciar que a
velocidade da luz no vácuo, que entra na definição da constante de estrutura
fina, não é uma constante universal, embora continue a ser importante.
Imutabilidade das leis da Natureza
Com a devida vénia, começo a
transcrever do livro mencionado no post anterior, "Força e Matéria" de
Luís
Buchner, o capítulo VIII, Imutabilidade das leis da Natureza.
As leis que determinam a actividade da natureza no seu movimento eterno,
na sua transição incessante do passado ao movimento progressivo das coisas, nas
suas construções e nas suas decomposições, não foram estabelecidas ou, por assim
dizer, prescritas, por um ou vários legisladores colocados fora ou acima dela,
como a imagem infantil dos povos gostava de figurar nos primitivos tempos, e
como o crêem ainda hoje os espíritos fracos e pouco cultos: elas são a expressão
necessária da acção comum das coisas naturais, de onde, por analogia com o que
se observa no homem, empregou-se aqui uma palavra que não pode senão despertar
ideias falsas, a de «leis». Mas a analogia não é real: a necessidade absoluta
que liga entre si as coisas e os fenómenos na natureza, nada tem de comum com as
decisões arbitrárias dos legisladores. As leis naturais não estão nem ao lado,
nem fora da matéria ou da natureza: é aqui, simplesmente, uma expressão para
designar as propriedades ou os movimentos que irrevogavelmente lhe são unidos.
Se as leis humanas supõem necessariamente um legislador ou uma vontade
preponderante - quer venha de um só ou da colectividade - não sucede o mesmo com
as leis naturais, que não regem por forma alguma a matéria ou a natureza, mas
não fazem senão um com ela, constituem-lhe a essência.
Segue-se daí - como de
resto a experiência já o estabeleceu - que as leis naturais são imutáveis, isto
é, independentes de toda a vontade, de toda a influência exterior e que se devem
considerar como eternas, tão bem como a matéria e a natureza. Nada sucede no
Universo, quer se trate do facto mais insignificante ou do mais considerável,
senão pela influência e como consequência das leis naturais. Uma necessidade
inflexível, implacável, domina a massa inteira e o curso da natureza. «As leis
naturais - diz Moleschott - são a expressão mais rigorosa da necessidade». Não
há aqui nem excepções nem restrições e nenhum poder do mundo poderia escapar a
esta necessidade. Sempre que uma pedra não esteja segura, caiu e cairá para o
centro da Terra, e nunca foi dada ordem nem nunca será dada, que possa fazer
parar o Sol no seu curso. Uma experiência de mais de dez séculos convenceu os
sábios da imutabilidade das leis da natureza, e essa convicção converteu-se, com
o tempo, numa certeza irrevogável. A ciência, lançada em busca da verdade,
atacou as crenças primitivas e infantis dos povos; tomando as posições umas após
outras, arrancou às mãos dos deuses o raio, os relâmpagos, os eclipses, e pôs às
ordens do homem o temível poderio dos antigos Titãs. Tudo o que parecia
inexplicável, o que parecia miraculoso e produzido por um poder sobrenatural,
pareceu bem depressa, ao clarão das descobertas, o efeito de forças naturais
desconhecidas ou mal apreciadas até então! Com que rapidez desabou, aos golpes
repetidos da ciência, o poder dos espíritos e dos deuses! A superstição
desapareceu de entre os povos civilizados e cedeu lugar ao saber.
(continua)
Força e Matéria
Um dos livros que comprei também num alfarrabista por
2,5 euros foi o que tem o título deste post e é do alemão
Luís Buchner,
tradução publicada pela Lello & Irmão em 1958. O autor reescreveu a obra
várias vezes, tendo começado a divulgá-la em 1855 e terminado em
1905 com
a edição n.º 17 em língua alemã. Espero que a leitura deste livro me permita
compreender uma parte do pensamento filosófico da época, que decerto influenciou
Albert Einstein, tanto mais que o autor era também alemão. O livro versa sobre
os seguintes temas: Imortalidade da matéria, Imortalidade da força, Infinito da
matéria, Eternidade do movimento, Universalidade das leis da Natureza, Períodos
da criação da Terra, Cérebro e alma, O pensamento é uma função do cérebro, A
consciência, Sede da alma, Deus criado pelo homem à sua imagem, Impossibilidade
do livre arbítrio, A moral oposta à religião.
Cientificamente correcto
Antes de mais quero agradecer de novo à
Cath e ao
Rui a gentileza que
tiveram em me proporcionar a leitura da
entrevista a João Magueijo feita por Salvador Nogueira da Folha
da S. Paulo. A entrevista foi feita por telefone e o entrevistador(SN) é de
grande categoria. João (JM) merece os meus aplausos, concordo com ele em 99% do
que disse. Reproduzo aqui os meus sublinhados da entrevista:
Mas eu
achei que era uma boa desculpa, de certa forma, para estar a divulgar, não tanto
a teoria especificamente, mas a maneira como a ciência é
feita,...(JM)
Quando se fala em Einstein, normalmente as pessoas se
interessam, mesmo quando o entendimento das idéias é
superficial...(SN)
Somos muito emocionais em fazer ciência.
(JM)
Eu acho que (o "peer review") já funcionou no passado. Aumentou
tanto o número de artigos que se escrevem que o sistema entrou em colapso
completo, possivelmente dez anos atrás. (JM)
Pouca gente é capaz de,
enfim, tomar riscos à partida. (JM)
É raro as coisas serem bonitas quando
se descobrem pela primeira vez. (JM)
É óbvio que a teoria da relatividade
foi bonita desde o princípio. Mas a mecânica quântica foi uma coisa horrorosa,
quando apareceu o primeiro "paper" do Planck. Não fazia sentido nenhum.
(JM)
Mas ao mesmo tempo que a bomba atômica foi uma das implicações de
E=mc2, existe tanta tecnologia nos hospitais que é baseada igualmente no mesmo
tipo de física. E a pergunta é exatamente essa. É um gênio mau ou um gênio bom?
É as duas coisas, não é? E no fundo faz parte da política, faz parte do lado
humano da sociedade, decidir como controlar o lado mau e como promover o lado
bom de qualquer desenvolvimento tecnológico. E não cabe ao físico teórico fazer
isso à partida, porque isso é uma coisa que é completamente imprevisível à
partida. (JM)
E mais este excerto de que gostei imenso, sobretudo
pelo humor:
O sr. acha que esse esforço matemático brutal das
cordas não tem chance de chegar a uma teoria unificada das forças do Universo,
no final? Eles vão produzir cálculos, mais cálculos e mais cálculos, e é
só?(SN)
Eu acho que isso vai acontecer muito possivelmente. É óbvio
que pode ser que as cordas sejam o caminho certo, não é? Nós não sabemos. É
ótimo o esforço. Infelizmente, o que estou a ver é que eles não estão a se
deslocar no sentido correto, não há dúvida nenhuma. Estão cada vez mais longe da
realidade. E a matemática está cada vez mais complicada, o que é uma coisa que
eu duvido que seja o caminho certo, por muito bonito que seja. (JM)
É
como na escola, quando se está resolvendo um problema. Quando ele começa a dar
uns números muito feios, você sabe que está errado... (SN)
(Risos)
Exatamente. (JM)Eu disse que concordava em 99% com João Magueijo.
Então e o 1% qual é? É este:
E fazer física não é nada bonito,
infelizmente.
João Magueijo em destaque
Recebi dos meus amigos
Cath e
Rui duas entrevistas
diferentes com o João Magueijo. Prometo pronunciar-me sobre elas amanhã porque
este humilde filósofo precisa sempre de muito tempo para compreender. A que
recebi do Rui é linkável
aqui. A Cath envia por email a quem lha solicitar. Muito
obrigado aos dois.
E = mc2 e Fernando Pessoa
No post de há dois dias viu-se como
Einstein descobriu a equivalência entre massa e energia. Na quantidade
mc
2 aparece a energia cinética clássica e isso foi motivo para
considerar essa massa como sendo constituída por uma soma de energias que
perfazem a energia total de um corpo em movimento uniforme. Note-se, porém, que
o corpo considerado não se encontra sob a acção de nenhuma força, apenas está
animado de uma velocidade que, para o observador, tem o valor v. Considere-se de
novo a expressão de mc
2 em função de v:
mc
2 =
m
0c
2+ 1/2
m
0v
2+3/8m
0v
4/c
2+5/16m
0v
6/c
4+
...
O termo m
0c
2 não depende da velocidade do corpo
mas apenas da massa do corpo em repouso, existindo mesmo quando o corpo está
parado. Isto é que é fenomenal e significa que a massa é energia e em energia se
pode transformar. Os restantes termos do desenvolvimento binomial dependem todos
da velocidade pelo que fazem parte da energia cinética. Assim, pode escrever-se
que a energia total E de um corpo animado de velocidade v em relação a um
observador é dada por:
E = E
r + E
c, sendo
E
r = m
0c
2 a energia em repouso e E
c
= E - E
r a sua energia cinética.
Daqui se pode concluir também
que a energia cinética de um corpo em movimento é E
c = mc
2
- m
0c
2 = (m-m
0)c
2, sendo m a massa
em movimento e m
0 a massa em repouso.
Tudo o que eu aqui disse
sobre a equivalência entre massa e energia preconizada pela Relatividade
Restrita representou uma tentativa de tornar este conhecimento mais acessível,
reduzindo ao mínimo os pressupostos necessários à sua compreensão. Muito se tem
escrito sobre E = mc
2 mas não creio que os sociólogos, algum dia, a
expliquem melhor do que
Fernando Pessoa.
Solidariedade inter-blogal
Acabo de ver no blog
a-metamorfose uma
denúncia de um blog plagiador. Uma vez mais se constata que a verdade vem sempre
à tona e isso não nos deve preocupar porque a qualidade também deixa marcas. O
plagiador acaba sempre por se denunciar.
E=mc2, segundo Einstein
No post de ontem viu-se que o
princípio de conservação da quantidade de movimento implica o aumento da massa
de um corpo com a velocidade segundo a fórmula m=m
0 x
g em que m é a massa em movimento e m
0 a massa em
repouso. A massa sofre um aumento com o factor
g =
1/(1-v
2/c
2)
1/2 = (1-x)
-1/2 sendo x =
v
2/c
2. E como é que a partir daqui Einstein estabeleceu a
equivalência entre a massa e a energia? Agora entram Pascal e Newton na cena.
Talvez tenham alertado Einstein (enquanto dormia) para aplicar o desenvolvimento
binomial generalizado à expressão da massa e ele assim fez. Obteve o seguinte
resultado:
m = m
0. (1+ 1/2
v
2/c
2+3/8.v
4/c
4+5/16.v
6/c
6+
...)
Em seguida multiplicou tudo por c
2 e
obteve:
mc
2 = m
0c
2+ 1/2
m
0v
2+3/8m
0v
4/c
2+5/16m
0v
6/c
4+
...
Reparou então, maravilha das maravilhas, que o segundo termo do
segundo membro da igualdade era aquilo a que se costuma chamar, em mecânica
clássica, de energia cinética. Então soltou subitamente um grito: Eureka!, a
massa de um corpo vezes uma constante (c
2) é igual a energia!!!!
Então massa e energia são uma e a mesma realidade.
Nota: Tive que
corrigir 3 vezes até ficar direito. Alguém conhece uma ferramenta para passar
directamente do Word Equation para HTML?
Naves gémeas
Duas naves idênticas partem de uma plataforma espacial
na mesma direcção mas em sentidos opostos, ambas com a mesma velocidade em
relação à plataforma. Supondo que o impulso foi dado pela explosão de uma carga
colocada entre as duas naves, o seu centro de massa, após a partida, permanece
na plataforma de onde se vê as duas naves a afastarem-se com a mesma velocidade.
Na mecânica clássica diríamos que, de qualquer das naves, se vê a outra a
afastar-se com o dobro da velocidade de cada uma delas em relação à plataforma.
Ora isto, em mecânica relativista, já não acontece. Um observador numa das naves
veria a outra a afastar-se da plataforma a uma velocidade inferior à da nave em
que se encontra porque já não é válida a simples adicção de velocidades. A
relatividade de Galileu que permitia adicionar as velocidades de acordo com a
transformação v = w+w = 2w cede lugar à transformação de Lorentz em que,
como já vimos, v =
2w/(1+w
2/c
2).
No entanto, como se sabe que, à
partida, o impulso e as massas das naves eram iguais e que o centro de massa
deve permaner na plataforma, a única explicação possível para que o observador
de uma das naves veja a outra a afastar-se mais devagar é assumir que a massa da
outra nave (inércia) aumentou e, por isso, ela adquiriu menos velocidade.
Igualando a quantidade de movimento m
0w da nave em que se encontra o
observador com a quantidade de movimento m(v-w) da outra nave, resulta que a
massa m da nave observada é dada por m = m
0 w/ (v-w) ou, substituindo
v em função de w, tem-se:
m = m
0 .
(c
2+w
2)/(c
2-w
2)
Seguidamente,
com muita perícia matemática, substitui-se a velocidade w por v (que é a
velocidade da nave observada) e obtém-se:
m = m
0 / (1 -
v
2/c
2)
-1/2A massa da nave vista pelo
observador aumenta com a sua velocidade (vista pelo observador). E, à medida que
essa velocidade tender para c, a massa tenderá para infinito. Agora, falta
justificar a equivalência entre massa e energia em que Einstein não reparou
logo. Nem sei se alguém teria reparado porque a matemática envolvida não é tão
simples como isso. Fica, por isso, para o nosso próximo encontro. Uma dúvida que
se pode levantar é se, de facto, na verdadeira realidade (supondo que ela
existe) e não na realidade relativa do observador, os corpos sentem as
alterações da relatividade. Alguns poderão dizer que a realidade absoluta não
existe, existem apenas realidades relativas. Outros dirão que as alterações
relativistas são ilusões causadas pelo movimento. O facto é que são ilusões
reais com confirmação experimental.
Agradecimentos
Tenho a agradecer a todos os blogs com quem mantenho
relações mas hoje gostaria de retribuir a gentileza de
O Bisturi pela referência
feita ao meu blog. A estima é recíproca mas a humanidade encontra no
Rui um expoente muito
mais alto que o meu modesto c
2.
Ainda a Matemática
O post da Matemática motivou os comentários que a
seguir se tornam mais
visíveis:
Da
Cath:
Incrivel! Realmente postamos textos "gemeos",
mas acho que tudo o que eu queria dizer resume-se de maneira esplendida na frase
do Henrique: "Não se pode esquecer porém que a Matemática é uma criação humana
e, como tal, enferma da mesma incompletude que o nosso próprio raciocínio. Mas
é, e continuará a ser, a companheira mais fiel dos físicos. " Isso eh lindo. Ah,
e eu creio na persistencia.Do
Fernando:
Tenho dúvidas... Creio que a matemática em
si é algo que sempre existiu e existirá. O que é criação humana são os
mecanismos criados para a sua compreensão... Do mesmo modo que os fenómenos
físicos, químicos, biológicos, não necessitam de intervenção humana para se
darem, e o Homem criou mecanismos para tentar compreendê-los... Mas, para
existir matemática não tem que existir matéria, o que já não é válido para as
outras ciências naturais. Daí que eu pense até, que a matemática possa ser a
única realidade num «universo vazio», algo que existe para lá do tempo e do
espaço. Talvez a matemática seja Deus, quem sabe... Comentários de
muito valor em que o primeiro apoia a ideia expressa no post e o segundo
contrapõe uma visibilidade diferente mas igualmente defensável, sendo que a
diferença não irá interferir no casamento entre a Matemática e a Física. A Cath
realçou do post a frase que sentiu como indo ao encontro do que pensa. O
Fernando perfilha de uma concepção platónica e acredita que a Matemática existe
sem que para isso tenhamos que existir. De facto, assumimos que outros seres
inteligentes de outros mundos descobririam a mesma Matemática de que fazemos uso
na Terra. Foi por isso que o
Homem
deixou na Lua uma placa escrita em Matemática. Embora também tenha dúvidas,
quem nos ensinou a contar não foi a Natureza?
Nota posterior: Já não me
recordo se a placa foi deixada na Lua ou se foi enviada para o espaço numa das
missões para fora do sistema solar. No último caso faria mais sentido. Vou
investigar.
c + c = c
Recorde-se que Einstein assumiu que a velocidade da luz é a
mesma em referenciais com movimento relativo uniforme. Daí concluíu também que a
velocidade máxima no universo é a velocidade da luz no vácuo - c. Isto implica
que a transformação da velocidade dos corpos numa mudança de referencial de
inércia já não segue a transformação de velocidades galileana até então aceite
na mecânica. Trocando por miúdos: se um observador vê um avião a deslocar-se a
uma certa velocidade
v e alguém que se encontra no avião vê outro avião a
deslocar-se com a velocidade
u na mesma direcção e sentido, a velocidade
do segundo avião não é
v + u porque, deste modo, entraríamos em
contradição com a hipótese de c ser a velocidade limite no universo. Por simples
adição de velocidades acabaríamos por ultrapassar c. Essa soma é, na
relatividade especial, corrigida por um factor que vale 1/(1 +
v.u/c
2). Este factor é tal que, mesmo que v e u sejam iguais a c, a
sua "soma" é também
c.
Nota posterior: Será por isso que surgiram
os boatos que afirmam que Einstein foi mau aluno em Matemática?
Energia e massa
Num post anterior viu-se como a mecânica
clássica me levou a pensar que a energia total do universo vai diminuindo à
medida que os corpos se afastam, acabando por se anular no infinito. Porém a
massa dos corpos mantém-se, em princípio.
1905. Um funcionário
pouco conhecido de uma repartição de patentes em Berna com muito tempo para
pensar em Física publica na revista onde já publicara anteriormente outros
artigos (Annalen der Physik), um artigo intitulado "Da Electrodinâmica dos
Corpos em Movimento". O conteúdo deste artigo é a Relatividade Restrita e o
autor é, obviamente, Albert Einstein. Logo após a saída do artigo, Einstein
verificou que não dera atenção a um resultado importante da sua tese: a
equivalência entre energia e massa. Imediatamente escreveu outro artigo para ser
publicado no número seguinte da revista: "Será a inércia de um corpo dependente
do seu conteúdo energético?". E é neste artigo que ele aparece com
E =
mc2.
O
casamento dos físicos com a Matemática
A Matemática, esse bicho papão que atormenta uma grande parte das pessoas,
não é mais que uma linguagem simbólica que nos permite condensar raciocínios
que, de outro modo, precisariam de páginas e páginas de escrita normal para
serem transmitidos. Ela é, sem dúvida, uma das grandes conquistas da Humanidade.
Os físicos, cujo principal objectivo é explicar os fenómenos naturais e
torná-los mais previsíveis, casaram-se, por assim dizer, com a Matemática.
Quando se lida com a matemática pura, isto é, com as capacidades abstratas da
linguagem, tem-se a impressão de que ela nos pode dar todas as respostas
pretendidas, desde que se consiga estabelecer um conjunto de relações principais
para delas se retirar as consequências. Não se pode esquecer porém que a
Matemática é uma criação humana e, como tal, enferma da mesma incompletude que o
nosso próprio raciocínio. Mas é, e continuará a ser, a companheira mais fiel dos
físicos. Deste casamento nasceram e continuarão a nascer filhos dignos, cuja
missão é zelar pelo bem estar físico e psíquico da Humanidade mas que também são
escravizados por aqueles que visam a sua destruição.
HOMENAGENS
A minha paixão pelas coisas da Natureza leva-me a considerá-La do mesmo modo
que um crente possivelmente considera Deus. Foi em função disso que escolhi o
título para este blog. Tentar compreender a Natureza com o nosso pensamento é
uma religião na medida em que nos religa a Ela. Ela é a minha Deusa, a minha mãe
e a minha morada. A Ela devo veneração, respeito, amor e cuidados. Posso não
passar a ideia de quem venera a Natureza ao tratar os temas habituais, mas é a
minha forma de Lhe prestar homenagem, da mesma forma que um crente diz,
concentradamente, as suas orações.
E aqui agradeço também a
extraordinária fidelidade (que é recíproca) da autora do blog A Base do
Optimismo e que dá pelo nome de Catherine Linton. Tal como outra do mesmo
nome, ela é uma física diplomada e trabalha na investigação de fenómenos
atmosféricos eléctricos. Fidelidade significa apoiar nos bons e maus momentos.
Nem tudo o que se escreve num blog (diário) pode ser tomado como um artigo
científico, isento de falhas e de incorrecções. Ter a capacidade de tolerar
essas falhas é fidelidade; visitar, acompanhar, comentar, responder aos
comentários, trocar piropos, tudo isso cria uma cumplicidade e vamos tendo a
impressão de já nos conhecermos de há longa data. Por isso, este post é, também,
uma homenagem à Cath, o melhor que a Natureza tem produzido.
A energia potencial do campo gravítico
Tentarei hoje abordar, da forma
mais simples que me for possível, a questão da energia potencial de que falei
também em post anterior a propósito de
E=mc2.
Uma massa, suposta pontual, que se
encontra na vizinhança de outra massa muito maior (pontual ou esférica de
densidade uniforme), é atraída por uma força que, segundo a Lei da Gravitação,
depende directamente das massas e do inverso do quadrado da distância ao centro
da massa maior. Ao espaço em redor desta chama-se o seu “campo” (gravítico) mas
também se pode falar de uma grandeza física com o nome de “campo” e que mais não
é do que a força por unidade de massa que se exerce sobre os corpos vizinhos;
este “campo” dependerá da massa que o cria e também do inverso do quadrado da
distância ao seu centro mas não depende da massa do corpo-sonda que é atraído. A
cada ponto do espaço em redor de uma massa pode, então, associar-se um certo
valor de campo, independentemente de nele existirem outras massas.
À
medida que a distância ao corpo que cria o campo vai aumentando, o campo
enfraquece e, a uma distância suficientemente grande ele é, praticamente, nulo.
Enquanto o campo for não nulo existe um “potencial” de energia, de movimento.
Mas quando uma massa-sonda se afasta suficientemente, este potencial anula-se
praticamente, ou seja, no infinito, o “potencial” do campo é zero. Ao trabalho
necessário para libertar (arrancar) uma massa-sonda de um campo, isto é,
transportar a massa da posição que ocupa no campo até ao infinito, chama-se a
sua energia potencial. Como o corpo recebe trabalho, isto quer dizer que a
energia potencial é uma quantidade intrinsecamente negativa. Ela calcula-se por
integração (soma de parcelas diminutas) do trabalho de uma força igual e oposta
à gravítica desde a distância a que o corpo-sonda se encontra (r
1)
até ao infinito:
a) Ep = -∫F. dr = -∫GMm/r
2. dr = -
GMm/r
1A uma distância genérica r, a energia potencial é Ep =
- GMm/r.
Vimos, em post anterior, que a energia potencial de um corpo em
órbita estável no campo gravítico é o dobro da cinética já que é igual a
mv
2. No entanto, sendo considerada negativa, faz com que a energia
total, potencial mais cinética, seja igual à cinética, mas negativa também.
Então, para um corpo em órbita, a sua energia total é:
Et = Ec + Ep = ½
mv
2 – mv
2 = - ½ mv
2Órbitas cada vez
mais largas correspondem pois a perda de energia cinética (perda de velocidade)
mas aumento de energia potencial e da energia total, sendo que as duas últimas
tendem para zero.
Terão todos os corpos do universo uma energia total
negativa? Um corpo, para existir, retira, de facto, energia do nada? A energia
total do Universo será nula?
a) Nota posterior: Substituí ∆r por dr, para
não chocar os matemáticos. No sinal de integral não consegui pôr r
1
em baixo e ∞ em cima. Tenho que me dedicar mais à informática.
Conversão de trabalho em energia cinética
O trabalho
W
de uma força
F, constante no tempo, ao fazer um corpo percorrer
uma certa distância
s num tempo
t é tanto
maior quanto maior for a força e maior for a distância percorrida (
W =
F.s) na direcção da força. Se este trabalho não puder ser partilhado
com mais nenhum outro corpo, ele ficará armazenado no corpo sobre o qual se
exerceu. Este parece ter duas possibilidades para guardar esse trabalho: por
alteração da velocidade e/ou da sua posição. A última possibilidade só ocorre
quando o corpo se encontrar num campo de características adequadas, como por
exemplo o gravítico. Pode dizer-se que o trabalho exercido sobre o corpo se
divide em duas partes e escreve-se que
W = Ec + Ep em que W é o
trabalho,
Ec é a variação da energia cinética e
Ep é a variação da energia de posição, também chamada
potencial. Na ausência de campo, as leis do movimento de Newton permitem
escrever, para um corpo que parte do repouso:
F=m.v/t
s=1/2.v.t
e pode-se, facilmente, deduzir que o trabalho
W se
transforma em energia cinética E
c do seguinte modo:
W = F.s =
E
c = ½ m.v
2Apesar das condições particulares desta
dedução, prova-se a sua validade geral. A energia cinética de um corpo é metade
da massa vezes o quadrado da sua velocidade.
Actualização de blogs
Saíram dois blogs que deixaram de operar e entrou
A Sombra, blog que desde sempre
respeito e admiro e que, tal como aconteceu com O Marítimo, ainda não figurava
na lista de links. O blog é produzido por uma equipa liderada por
Rui
Semblano. A equipa está de parabéns pela coerência e persistência que tem
demonstrado ao longo de todo este tempo.
Nota posterior: Peço desculpas
ao Rui por me ter enganado no apelido. É sinal que postei de memória.
Fogo de S. Silvestre e o Universo
Muita gente já deve ter visto um fogo
de artifício japonês. Nele predominam aquelas
esferas
que expandem lentamente e parecem ocas por dentro. Umas vermelhas, outras
brancas, outras azuis, etc.. Quando ocorre uma explosão, são expelidos
fragmentos em todas as direcções com velocidades semelhantes. A distância média
desses fragmentos ao centro da explosão deve ser a mesma em qualquer direcção
pelo que, ao cabo de um certo tempo, os fragmentos formam um corpo esférico cuja
espessura dependerá do desvio das velocidades iniciais dos fragmentos em relação
à velocidade média. A um tal corpo chama-se uma calote esférica. Se o Universo
nasceu de uma explosão semelhante, não seria de esperar que tivesse a forma de
uma calote esférica, ou seja, de uma bola do fogo de artifício japonês?
AMI vai para o Irão e precisa de auxílio
A AMI vai
realizar uma missão exploratória a Bam com o objectivo de prestar assistência às
populações vítimas do sismo na segunda fase da catástrofe, habitualmente mais
esquecida: a fase da reconstrução. Para concretizar o apoio à população
sobrevivente do sismo que devastou a região de Bam, a AMI irá necessitar de
100.000 €, pelo que está a lançar uma campanha de angariação de fundos junto da
população portuguesa. Os donativos podem ser efectuados mediante transferência
para:Conta de emergência:
BES
000700150040000000672
Ou ainda via Multibanco:
Referência N.º 20 909 909
909 909 Conferir o número da conta no site da
AMI
Novo link
Uma das facetas positivas do fenómeno bloguístico é a de nos
trazer conhecimentos de diversas áreas. Cada um de nós, por razões de economia
de tempo e consequente necessidade de seleccionar prioridades, restringe as suas
áreas de informação e formação de modo a evitar a dispersão. É aquilo a que se
pode chamar de especialização. Podemos, deste modo, beneficiar dos conhecimentos
de diversos especialistas e ampliar a nossa visão, por vezes demasiado estreita,
da realidade.
E é assim que acrescento mais um link à minha lista. Trata-se
do blog
Marítimo de João Vaz.
Excelente qualidade, enorme trabalho de pesquisa, entusiasmo genuíno pelas
coisas do mar e muita sabedoria. Parabéns, João. Peço desculpas por só agora me
ter lembrado de colocar aqui o link.
Finalmente equipado e ligado à Net
Comprei o computador a 27 de
Novembro, dia do meu aniversário e, nesse mesmo dia, solicitei a ligação a uma
companhia fornecedora. Mais de um mês depois e, após insistência semanal, fui
ligado à rede. Estranha sensação a que agora sinto. Primeiro, quando me vi
privado de computador, não esmoreci e continuei a blogar aqui e ali. Aos poucos
fui perdendo o ânimo por não poder dispor do acesso sem reservas. Agora sei que
tenho acesso sem reservas mas não sei bem o que hei-de fazer. Perdi a
continuidade. Deve ser a sensação do preso que sai em liberdade e não sabe o que
fazer dela. Primeiro temos que nos adaptar.
O filme que me corresponde
Tendo feito o teste sugerido em legenda ao
cartaz do filme, calhou-me "A Lista de Schindler". Quer acreditem, quer não,
ainda não vi o referido filme embora conheça, de ouvir falar, o enredo. Mas
agora vou mesmo ver.
SOLIDARIEDADE
O sismo no Irão. Proponho uma campanha de solidariedade
dos blogs.
Coriolis e a gravitação II
É certo que a energia total
(cinética+potencial) da nave terá aumentado, mas a sua energia cinética
diminuiu. O fenómeno, quando observado no referencial da nave (em rotação),
consistiu em acelerar numa dada direcção mas o deslocamento ocorre numa direcção
perpendicular à aceleração e com uma velocidade proporcional à mesma. Que
estranha força faz avançar a nave... No primeiro post sobre este
assunto (vide mais abaixo), faz confusão que, para os ocupantes da nave, esta
progrida perpendicularmente à sua força propulsora. Analisando melhor a questão,
verifica-se que o efeito imediato da força será alargar o raio da trajectória o
que faz diminuir a força centrífuga. Ao mesmo tempo, esta força roda num sentido
em que passa a resistir à propulsão e, sendo também proporcional à velocidade,
equilibra uma componente da força propulsora dirigida para fora da órbita. A
diminuição de velocidade é comparável à que sofre um veículo em subida. Quando a
força propulsora deixa de actuar, a trajectória torna a curvar-se e a força
centrífuga volta a ter a direcção da gravítica e o sentido oposto. A nave
permanecerá, então, nesta nova órbita mais larga.
Agora, porém,
levanta-se uma outra questão: se a nave tivesse sido afastada por uma força
propulsora em oposição à gravidade, ficaria numa órbita mais larga quando os
motores fossem desligados? Parece que não, que seria de novo puxada pela
gravidade e o efeito seria entrar numa trajectória mais excêntrica. Bem, “e qual
é o problema?”, perguntar-se-ão os leitores. O problema é saber o que acontece
ao trabalho dos propulsores já que a soma da energia potencial com a cinética
permanece, pelos vistos, a mesma. O trabalho parece ficar na oscilação
cinética-potencial e, assim sendo, a excentricidade medirá, por assim dizer e
também, uma energia armazenada.
O movimento da nave com propulsão
tangencial é irreversível, ao passo que a propulsão radial parece ser
reversível, pelo menos se a velocidade não for suficiente para proporcionar o
escape definitivo da nave.
Os Enigmas do Universo
Um dos preciosos livros que comprei no outro dia
num alfarrabista é de Ernesto Haekel, publicado pela Lello & Irmão, sem data
de publicação e tem o título deste post. A ortografia do livro tem mais de 50
anos e é uma tradução de um livro de final do século XIX, início do século
XX.
Na página 20 do referido livro pode ler-se:
"No celebre
discurso, pronunciado em 1880 na Academia das sciencias de Berlim, no decurso
d'uma sessão em honra de Leibnitz, EMÍLIO DU BOIS REYMOND distinguia
sete
enigmas do Universo e enumerava-os pela ordem seguinte: 1.º Natureza da
materia e da força; 2.º Origem do movimento; 3.º Primeira apparição da vida; 4.º
Finalidade (em apparencia preconcebida) da natureza; 5.º Apparição da simples
sensação e da consciencia; 6.º A razão e o pensamento com a origem da linguagem
que se lhe liga estreitamente; 7.º A questão do livre arbítrio."
Haekel
considerava-se um monista, admirador de Goethe e fiel ao pensamento de
Spinoza.
VULCANUS ET IGNIS?
A mecânica clássica já explicava, por consideração da
influência dos planetas uns sobre os outros, a precessão das órbitas de todos os
planetas, ou seja, que as órbitas elípticas não mantêm fixa a orientação dos
eixos; eles sofrem uma lenta rotação, tanto mais lenta quanto mais larga for a
órbita.
As medições das observações astronómicas concordam razoavelmente
com a explicação da mecânica clássica, havendo apenas um desvio anormal,
relativo à órbita de Mercúrio. Se encararmos as teorias como simples modelos que
descrevem aceitavelmente a realidade, os desvios são naturais. Não se pode
esperar que haja acordo absoluto, até porque as previsões teóricas fazem uso de
simplificações, aproximações e pressupostos que distorcem a realidade. Os
cientistas sabem, porém, controlar os desvios admissíveis face às hipóteses de
cálculo e o desvio da órbita de Mercúrio não podia ser devidamente esclarecido,
a não ser que existissem outros planetas com órbitas ainda mais fechadas que
Mercúrio. Chegou a admitir-se a existência de mais um planeta a que se deu,
inclusive, o nome de Vulcano.
Um dos êxitos mais espantosos de Einstein
foi explicar, através da Relatividade Geral, a precessão da órbita de Mercúrio,
sem a necessidade da existência de outros planetas. Estando Mercúrio mais
próximo do Sol, ele sente o seu campo gravítico de forma mais intensa o que
altera a passagem do tempo. Um relógio na órbita de Mercúrio atrasa-se em
relação a um relógio na órbita da Terra. Isto faz com que a trajectória
calculada com base num tempo sempre igual seja diferente da trajectória real
descrita num tempo real que depende da intensidade do campo gravítico. A
correcção feita pela Relatividade Geral explica a órbita de Mercúrio sem que,
para tal, se tenha que admitir a existência de mais planetas.
Uma vez que
a dependência do tempo com a intensidade do campo gravítico pode ser verificada
experimentalmente, não podemos ter esperanças que Vulcano e/ou "Ignis" existam.
Grandes males...
Retirei a possibilidade de comentar este blog. Graças a
um senhor que é fruto de uma educação cada vez mais em voga nesta sociedade. Que
lhe faça bom proveito e que tenha bastante sucesso na sociedade que está a
ajudar a desenvolver. E que o feitiço não se volte...
Livros
Ando curioso acerca do livro de António Damásio de que tanto fala
Em Expansão Vertiginosa (e não só).
Ontem havia uma pequena feira em Leiria e comprei livros preciosíssimos a 2,50
€/cada. Custa-me dar 15 ou mais euros por um livro, mas vou sair daqui e vou
direitinho "Ao Encontro de Espinosa" na livraria (aberta ao Domingo).
A FÍSICA DO AUTOMOBILISTA
A pedido de
O Bisturi, excelente blog de opinião
anti-fundamentalista mas fundamentada, faço hoje um post dirigido a um público
menos fechado que o habitual, embora sempre tenha procurado a simplicidade de
exposição. Os temas normais deste blog é que têm, quiçá, uma audiência mais
restrita.
O conceito de energia, embora um tanto abstracto, acaba por
sedimentar como um bem (influência das Ciências Sociais) que se pode trocar
entre os corpos e cuja quantidade total se conserva, tal como a massa dos
corpos. Assume várias formas como a mecânica, a eléctrica, a calorífica, etc..
Ela é, porém, um conceito físico que liga a força com o movimento. A unidade de
medida de energia mais usada em Física é o Joule, do Sistema Internacional de
Medidas.
Em mecânica, a energia por excelência é o
trabalho
mecânico, produto da força aplicada a um corpo pelo deslocamento que
lhe provoca. Como todos sabemos, o trabalho não surge do nada e, ao realizar-se
um trabalho, ele considera-se cedido de um lado e ganho do outro, ou seja, dá-se
uma transferência de energia. Existe um agente que perde energia e outro que a
ganha. Exemplificando:
Se eu empurrar, com força constante, um carro numa
superfície perfeitamente plana e sem atrito, a velocidade do carro aumentará
proporcionalmente ao tempo, contado desde o instante em que apliquei a força. À
medida que o tempo passa sinto que perco energia, custa-me cada vez mais manter
a mesma força, tanto mais que agora o carro ganha velocidade e tenho que correr
mais no mesmo tempo. Ao parar de empurrar, tinha perdido uma certa quantidade de
energia. O carro continua a rodar mas a velocidade ficou constante, com o valor
atingido no instante em que parei de empurrar. A minha energia (trabalho) passou
para o carro e nele ficou armazenada em forma de movimento. A esta energia, que
é metade da massa do carro vezes o quadrado da sua velocidade, chama-se
energia cinética.
O ritmo de conversão da energia em
trabalho ou vice-versa (energia por unidade de tempo) chama-se
potência
e mede-se, no Sistema Internacional, em Watt. A
força
pode calcular-se multiplicando a massa pela variação da velocidade com
o tempo. A unidade é, no Sistema Internacional, o Newton que é cerca de um
décimo do quilograma-peso.
Quando um carro é acelerado pelo seu motor
(cansa muito andar a empurrar), ele ganha velocidade, aumenta a quantidade de
energia cinética que tem armazenada (metade da massa do carro vezes o quadrado
da sua velocidade). Em caso de choque, toda esta energia cinética transforma-se
em trabalho nefasto. A energia é dissipada em, digamos, três décimos de segundo.
Assim, um carro de 500 quilos dissipará, a
100 km/hora, 193.000
Joules de energia em três décimos de segundo, com uma potência de 640 kW, sendo
a força do embate de
17 toneladas. Um
aumento da velocidade
para o dobro, faz quadruplicar a energia e, como o tempo de choque se
reduz, a potência será superior ao quádruplo e a força do embate é superior ao
dobro, isto é,
superior a 34 toneladas.
Visão "quase" divina
Pedro Borges de
Como assim? falou-nos, há uns dias atrás,
de Hamilton e Lagrange e fez referências simpáticas a este blog. Assim, aqui
expresso o meu agradecimento, enquanto tento compreender o que ele quis
significar quando disse que quase sentiu a presença de Deus. Fica prometido um
post sobre o formalismo de Hamilton-Lagrange.
Coriolis e a gravitação
A curiosidade da
Cath motivou este post, ainda
não totalmente digerido por mim. Que me desculpem as falhas, pode ser já sinal
de senilidade.
Imaginemo-nos numa nave espacial em órbita em torno do
Sol. Os propulsores estão desligados e a nave encontra-se numa órbita estável.
Depois de efectuar vários estudos sobre o Sol, a nave deve agora mudar para uma
órbita mais afastada do Sol afim de estudar outros corpos do sistema solar. Para
tal, são activados os propulsores da nave. Ela vai ser acelerada de modo a
aumentar a sua velocidade tangencial o que fará, por seu turno, aumentar a força
centrífuga com vista a provocar o afastamento em relação ao Sol. A nave começa a
afastar-se do Sol em espiral, descrevendo órbitas cada vez mais largas. Atingida
a órbita pretendida, os motores são desligados. Os técnicos de bordo determinam
a nova velocidade da nave e, qual não é o seu espanto, ela diminuiu em relação
ao valor que tinha antes de terem sido accionados os propulsores. Estes são de
tal forma avançados que apenas retiram uma massa desprezável à nave.
A
distância ao Sol, tal como se previra, aumentou. Mas por que razão houve, então,
uma diminuição da velocidade da nave? Se a aceleração fosse prolongada por mais
tempo, qual seria a velocidade final da nave?
Será que em vez de
acelerar, se travou? Por uma qualquer ilusão óptica ter-se-á confundido o
sentido de rotação da nave em torno do Sol? O que terá visto um observador muito
afastado da nave e em repouso relativamente a estrelas fixas?
É certo que
a energia total (cinética+potencial) da nave terá aumentado, mas a sua energia
cinética diminuiu. O fenómeno, quando observado num referencial sol-nave (em
rotação), consiste em acelerar numa dada direcção e obter um deslocamento numa
direcção perpendicular à força e com uma velocidade proporcional à mesma. Que
estranha força faz avançar a nave...
Até breve, espero.
Há uma semana prometi voltar. Porém, ainda não tenho
a ligação à Internet prometida para esta semana. Pode vir hoje ou amanhã. Se não
vier, fica para a próxima semana.
Pude verificar, com prazer a retoma do
blog
Em Expansão Vertiginosa, um dos
blogs que visito com prazer.
Quando fizer a minha retoma (temo que esta
palavra vá estar muito tempo em voga) retomarei as conversas com os outros blogs
a propósito deste ou daquele tema adiado. Nomeadamente, ando a matutar num facto
que me causa muita estranheza: quanto mais aceleramos, mais parados ficamos.
Como é possível?
Paciência
Depois de um período de mais de dois meses sem computador,
retomo na próxima semana a minha actividade quase diária de escrita neste blog.
Até lá, um pouco mais de paciência!
Mais sobre nada?
Uma explicação simples para a provável existência de
uma velocidade limite no Universo, seja ela qual for, é não ser credível que uma
quantidade infinita de energia possa estar contida num espaço limitado. Tal
realidade violaria o nosso "instinto físico".
O conceito de massa pontual
viola, do mesmo modo, esse "instinto" ao pressupor que uma certa quantidade de
matéria está contida num ponto, ou seja, em nada porque o ponto,
conceptualmente, tem volume nulo.
Um volume finito só pode conter uma
quantidade finita e uma quantidade finita tem que estar contida num volume
diferente de zero. Esta é uma questão de princípio. É uma atitude puramente
materialista, aceite pela maioria dos cientistas. A densidade da energia ou da
matéria não pode, fisicamente, ser infinita, logo, terá um limite. Mas qual é
esse limite e porquê esse e não outro?
À medida que penetramos em escalas
cada vez mais pequenas, cresce a densidade de matéria e energia. E, como uma
escala tem sempre uma escala ainda menor, podemos admitir que, no limite, haja
densidades infinitas e pontuais. Mas, quantidades pontuais não são físicas. São
conceptuais, ou seja, espirituais. Será que tudo é feito de nada?
Gostei imenso da volta que
dei por todos os blogs da minha lista de links da direita. Não percam! Estarei
ausente deste blog até 5.ª.
E = mc2, segundo Newton
Em rigor a lei da gravitação de
Newton só é válida para massas pontuais e é dessas que vou falar. Mostrei, num
post anterior, que a referida lei pode ser simplesmente deduzida a partir da
hipótese "massa atrai massa". Referi ainda que a força centrífuga também pode
ser deduzida, sendo ambas as deduções baseadas na invariância da força numa
mudança geral e uniforme de escala (simetria de gauge?).
Seja então uma
massa pontual m que orbita à distância r em torno de uma outra massa pontual M
muito maior. Como a força gravítica é equilibrada pela força centrífuga, resulta
válida a lei dos períodos de Kepler que toma a forma:
(1)
r
3/T
2 = G.M/4
p2sendo T o período do movimento circular
de m e G a constante de gravitação.
Sabendo que 2
p.r/ T (
havia aqui erro!) é a velocidade linear de
m, daqui também se pode retirar:
(2) GM/r = v
2No
primeiro membro da igualdade reconhece-se a energia potencial de uma massa
unitária no campo da massa M e no segundo, simplesmente, o quadrado da
velocidade linear. Pelo que a energia potencial da massa m será:
(3) E =
m . GM/r = m. v
2A energia potencial de uma massa pontual
teria, por hipótese, um valor máximo correspondente a uma velocidade máxima.
Esta energia seria independente do tipo de campo em que a massa se encontra, que
apenas influenciaria o raio da órbita de energia máxima.
A hipótese de
energia máxima finita por unidade de massa implica, pois, a existência de uma
velocidade limite. Senda c, a velocidade da luz, a maior velocidade conhecida,
chega-se à expressão:
(4) E
máx = m. c
2que
se pode, em termos de mecânica clássica, interpretar como segue:
"O
quadrado da velocidade máxima é a energia máxima que se pode
armazenar
por unidade de massa e tem, por hipótese, um valor finito."
Nota: A
expressão (2), que tem em conta a velocidade orbital é diferente da que se
obteria utilizando a velocidade radial (de escape). Esta foi usada por Laplace
na previsão da existência de buracos negros e escreve-se: GM/r =
v
2/2.
Na volta
Na volta diária pela blogoesfera detive-me a ler a série de
posts de
Universos
Assimétricos intitulada "Rastejantes". Considerações muito pertinentes. A
nova série, "Pedófilos" é coerente com a linha de pensamento anterior.
Em
Ozono pude encontrar referências a um
universo virtual que, por razões técnicas não pude ver. Em
Teste-de-Turing detive-me a
ler "A liberdade científica, a televisão e os apagões". Valeu a pena.
Ainda sobre nada
Tal como prometi, aqui vai a minha modesta contribuição
para uma apreciação crítica do
artigo
A onda primordial referido no post anterior da autoria Hugo S. do Bactéria
Blog.
Após uma explicação convincente do que podemos entender como
"nada", refere o autor que a ele se aplica o Princípio de Incerteza,
obviamente formulado de maneira diferente. Como seria essa formulação?
Julgo que o autor poderia tentar essa formulação de uma forma mais nítida que
levasse a compreender a probabilidade de 100% de a partir do "nada" poder surgir
o existente.
Na sugestiva metáfora do lago, este simboliza o "nada". O
lago supõe-se infinitamente grande e completamente plano. Se um único ponto
desse lago sofrer perturbação, dará origem a uma onda (a onda primordial) que se
propaga e dá origem à existência. A perturbação do "nada" dá-se sem causa? Uma
explicação ou um postulado poderia ajudar a tornar a tese mais
científica.
Outra questão que levanto é relativa a um universo
constituído só por ondas sem suporte material (ondas de "nada"). Os componentes
últimos dos corpos seriam ondas. Como é que as ondas se juntam para constituir
corpúsculos que parecem ocupar um espaço próprio e que interagem com outros
corpúsculos, sendo a própria interacção um fenómeno ondulatório?
O
universo é uma onda que resulta da sobreposição de várias ondas e que evoluirá
de forma previsível ou, em cada instante e aleatoriamente, surgem mais ondas que
se sobrepõem à onda-universo existente?
O aumento do caos fará com que o
universo tenda de novo para o nada? E qual é a entropia do nada? Não será zero
porque nele nada se pode medir? Penso que o autor poderia tentar, de forma
exemplificativa como fez com o lago, explicar-se melhor.
Quanto à
velocidade da luz compreendo que, sendo esta determinada pela própria existência
de acordo com o pensamento do autor, seja ela a velocidade de referência e que,
uma vez atingida faça parar o tempo. Poderia ser mais desenvolvida.
Devo,
por último, fazer o seguinte comentário:
A concepção expressa na Onda
primordial é bastante interessante e pode por, quanto a mim, em causa a tese do
Big-Bang. De facto, as perturbações do "nada" ocorreriam desde sempre porque o
"nada" existe desde sempre. Ou não?
E está dado o meu parecer que, antes
de mais, é um estímulo para o autor e uma tentativa de contribuir para o
aperfeiçoamento da sua interessante ideia.
Sobre nada
Que se pode falar sobre nada, prova-o
Bactéria
Blog com o excelente artigo de Hugo S..
Este artigo é digno de ser
publicado em qualquer revista filosófico-científica e faço daqui um apelo para
que tal se torne um facto. Para já, seria interessante que os nossos
companheiros da blogoesfera actuassem como uma espécie de "referees"
relativamente ao artigo. Eu tentarei dar a minha modesta contribuição.
Redução de links
É com muita pena que retirei alguns links
correspondentes a blogs que deixaram de operar. Eu não imagino já viver sem este
que me tem feito muita companhia. Embora grande parte daquilo que aqui digo seja
mera especulação, não deixa de conter ideias e estas podem sempre ser úteis a
alguém. Se apenas uma se puder aproveitar, já não considero, de todo, que tenha
sido em vão.
O tamanho do Universo
Muito interessante é o que vem escrito no blogue
a-metamorfose
a este respeito e que foi referido num seminário sobre "O conceito de massa em
Física". O tamanho é relativo, a escolha das unidades de medida é arbitrária.
Lidamos com unidades de comprimento (logo, área e volume) que têm a ver com o
nosso tamanho. Se, eventualmente, vivêssemos num mundo onde o átomo era menor,
não nos aperceberíamos que assim era.
A Génese do Sistema solar
Pedro Borges de
Como assim? teceu excelentes e importantes
comentários sobre o meu post de 1 de Outubro "Os filhos do Sol IV". Afirma ter
feito a simulação que eu sugeri de espalhar poeiras num espaço e dotar esse
espaço de forças gravitacionais devidas a essas poeiras. O sistema, ao que
parece, não conduz a modelos semelhantes ao átomo ou ao sistema solar. Isso põe
em causa a génese do sistema solar por contracção de uma nebulosa como defendido
por Kant e Laplace?
Reproduzo os comentários de Pedro:
Curioso
mencionares essa experiência, uma vez que eu já fiz exactamente esse modelo em
computador (limitado a 2d e poucas partículas) é na realidade bastante simples
fazer órbitas em programação... basta: f=G*m1*m2/r^2 a=f/m v=v+a*t x=x+v*t E
três cuidados: Usa-se um G que funcione à escala do monitor Usa-se t=1 porque se
está a calcular iterativamente (para t1 é preciso usar eq. diferenciais e eu não
as sabia calcular com 18 anos - e continuo sem saber) Usa-se o centro geográfico
do sistema como referêncial para a representação - senão vemos o sistema a
deslizar linearmente no sentido da quantidade de movimento inicial introduzida.
E o que acontece?
Acontece que algumas partículas colidem e formam
particulas novas com nova massa e velocidade até sobrarem algumas em órbita
estável, que NAO é coplanar, e muito menos próxima de circular... é um conjunto
de cometas Haley à volta uns dos outros. mas é aí que acontece a maravilha...
Deixando a correr por um bocado de tempo... a perturbação dos planetas
uns nos outros torna as órbitas não coplanares instáveis. Se eu tenho um planeta
a girar planinho à volta do sol em XX e outro em YY quando estão mais próximos
perturbam a órbita um do outro retirando-se mutuamente dos respectivos planos
(instável) No entanto se as suas órbitas forem coplanares, as suas afectações
são também coplanares às suas órbitas, acelerando ou abrandando-as, mas nunca as
retirando do plano. Isto ia melhor com um boneco... ou melhor ainda um applet em
Java, acho que vou fazer um e depois meto-o no meu blog ;)
(mas desta vez
a 3D que já não tenho 18 anos) ;) Formidável! Pessoas como o Pedro
deviam estar a trabalhar em investigação em Portugal. Se não é esse o caso, é
uma terrível injustiça. Um muito obrigado ao Pedro Borges.
Pedido de desculpas
Peço desculpas a Pedro Borges de
Como assim? por não ter reparado nos
comentários dele feitos a 29.10 no meu post de 1.10. Como estou sem computador,
não tenho, muitas vezes, vagar para voltar atrás. Esses comentários dão resposta
a uma sugestão de simulação que eu fiz. Pedro Borges refere ter feito essa
simulação e seria muito interessante conhecer os resultados. Infelizmente, pelo
que parece, o blog está parado e foi por essa razão que retirei o link.
A
Cath presenteou-me com referências demasiado elevadas no seu cada vez mais
excelente blog
A Base do
Optimismo. Obrigado pela informação sobre a massa do buraco negro no centro
da nossa(?) galáxia. Era um valor dessa ordem que eu tinha memorizado mas
julgava que pudesse ter havido correcção. Obrigado, Cath.
O comprimento de Planck
Falando de partículas fundamentais, ocorre
também perguntar: que dimensão tem a menor das partículas? Teremos chegado ao
"infinitamente pequeno"?
Há um ramo da Física (corrijam-me se estiver
desactualizado), a Geometrodinâmica Quântica que pretende fazer derivar da
gravidade todas as restantes interacções - electromagnética, forte e fraca. Esta
unificação seria feita por fusão da Relatividade Geral Quântica e da
Relatividade Especial. O conceito central, de início uma pura especulação, é o
chamado comprimento de Planck, dado pela expressão l
P =
(G.h/c
3)
1/2 = 4,05 x 10
-35 metros. Ele é o
único comprimento que se pode estruturar a partir das "constantes" da Mecânica
Quântica, da Relatividade Geral e da Relatividade Restrita:
h é a
constante de Planck,
G a constante de gravitação e c a famosa
velocidade da luz.
Julga-se que na escala de distâncias da ordem do
comprimento de Planck a geometria do espaço e do tempo deixa de ser uniforme e
torna-se desordenada devido às "flutuações quânticas", do mesmo modo que a
superfície de um oceano que nos parece, de longe, lisa mas afinal está cheia de
ondulação.
Pelo que se entende, portanto, o comprimento de Planck deve ser a
menor dimensão física diferente de zero, apesar de matematicamente não haver
qualquer limitação.
Desde a famosa experiência de Rutherford que se sabe que
a dimensão do núcleo dos elementos é diminuta (a matéria é quase só vazio) e o
raio do núcleo, suposto esférico, calcula-se por uma fórmula muito simples
R
N = 1,2 x 10
-15 . A
1/3 metros, em que A é o
número de massa do núcleo. Isto quer dizer que um único nucleão (A=1) tem um
raio de 1,2 x 10
-15 metros.
Se dividirmos o raio do nucleão pelo
comprimento de Planck obtém-se, uma vez mais, um valor da ordem de grandeza dos
factores de escala de que tenho falado. Neste caso,
2,96 x
1019.
Estamos já perante várias coincidências: a relação
entre o raio das órbitas das estrelas na galáxia e o raio das órbitas dos
planetas; a relação entre este e o raio de Bohr e, agora, a relação entre o raio
do nucleão e o comprimento de Planck. A quarta coincidência foi, ainda, a
"dilatação" do tempo, com um factor semelhante, ao considerarmos que a força
eléctrica no átomo era da mesma natureza que a gravítica e que o tempo é que se
alterava.
Dá a impressão que o universo pode ser compreendido como algo
que se repete de modo semelhante quando efectuamos saltos de escala com um
factor de cerca de 10
20.
Este post é dedicado ao nosso
físico português.
O carácter deste blog
Qual o verdadeiro carácter deste blog? Ele tem
tido diferentes "classificações" na blogosfera. Para uns é místico, para outros
religioso e para alguns ainda é científico. Mas o autor não é nem místico, nem
religioso e, muito menos, cientista. Pelo menos no sentido vulgar que se dá a
estas classificações.
Julgo que pode haver diferentes motivações para manter
um blog. Para alguns pode ser para dar opiniões, para outros só para conversar
um pouco, para outros ainda para se darem a conhecer. Neste caso particular, não
escondo, trata-se de "testar" algumas ideias que aqui tenho vindo a expor. E,
posso dizê-lo, foi uma excelente ideia e tudo farei para continuar.
No
próximo post farei uma incursão ao "infinitamente pequeno", à dimensão não nula
mais pequena - o comprimento de Planck.
Partículas fundamentais II
Uma nova forma de unificação na
FísicaOs problemas da Física são muito semelhantes àqueles que
preocupam os filósofos e são muito estimulantes para estes que descobrem neles
um manancial quase inesgotável. A diversidade e a dificuldade própria dos
problemas impele-os a procurar um ponto de vista segundo o qual fenómenos
diversos possam ser explicados como simples aspectos da mesma
realidade.
Assim, as partículas consideradas mesmo fundamentais, que se julga
ser os quarks, os leptões e as partículas de força, embora sendo em grande
número, obedecem a um pequeno número de princípios. A ideia de reduzir o número
de partículas ao mínimo foi substituída por outra: reduzir o número de
princípios ao mínimo. É, sem dúvida, uma via igualmente aceitável para a
unificação.
Partículas fundamentais I
A imensa variedade de partículas já detectadas
pelos físicos de partículas não pode ser interpretada com base em duas ou três
partículas fundamentais como se supunha há cerca de cem anos. Certas partículas,
realmente detectadas, têm um conjunto de "propriedades" que podem ser
compreendidas supondo que são formadas por "tijolos" fundamentais que são os
quarks. São necessárias três "famílias" de quarks para reproduzir aquelas
partículas reais. Apenas as partículas classificadas como leptões não necessitam
ser descritas com base nos quarks e consideram-se, por isso, fundamentais. É o
caso do electrão, do muão e do Tau e respectivos neutrinos.
Nunca se
conseguiu isolar um quark e os físicos não esperam que um dia o possam fazer. O
que é certo é que a suposição da sua existência explica a diversidade das
partículas reais e permite mesmo predizer a existência de partículas que mais
tarde vieram a ser detectadas, confirmando a hipótese da existência dos
quarks.
Compreendo o encantamento dos físicos de partículas por possuírem uma
ferramenta que lhes permite lidar com a diversidade. Seria muito interessante
que os nossos especialistas de física (da blogosfera), um dia nos falassem dos
grafos do Sr. Feynman que explicam as transformações que podem ter lugar nos
choques de partículas. Com efeito, nesses choques os quarks das partículas e
leptões interagem com troca de
partículas de força que têm o nome de
bosões. Delas fazem parte o fotão (força electromagética), o W e Z (interacção
fraca) e o gluão (interacção forte).
Existe uma dificuldade de compreensão
quando se explicam as forças por troca de partículas: como explicar as forças de
atracção?
Adiando para pesquisar
Ainda antes de me debruçar filosoficamente sob o
tema prometido - partículas fundamentais - tenho que me informar sobre o estado
actual do conhecimento nesta área. As minhas principais fontes de informação
foram artigos e links contidos em dois grandes sites de física (e não só) da
blogosfera -
Em Expansão Vertiginosa
e
Abundante Tempo Livre.
E, como já referi, estou também a ler um livro sobre o assunto. Chama-se
No Coração da Matéria, de Maurice Jacob, publicado em 2001 pelo
Instituto Piaget.
Anunciando o próximo post
Analisando atentamente os comentários
publicados no post anterior, quase todos abordam o tema das partículas
fundamentais, o mundo do muito pequeno. E não digo infinitamente pequeno porque,
por definição, o infinito é inatingível. Seja pequeno, seja grande. Aqui é que
se pode aplicar a máxima "tudo é relativo" que as pessoas comuns adoptaram,
distorcendo, por vezes o pensamento científico subjacente.
Acontece que estou
a tentar ler um livro algo recente sobre a Física das Partículas e, pelo que já
li, em breve será possível, com o acelerador LHC do CERN, fazer colidir hadrões
com energias da ordem de 14 TeV, desvendando mais segredos das escalas diminutas
(<10
-19 metros).
As elevadas energias de colisão "simulam" as
condições iniciais do universo, quando as partículas tinham energias cinéticas
dessa ordem de grandeza. A energia cinética média das partículas de um meio mede
a sua temperatura e os choques de elevada energia reproduzem temperaturas
semelhantes às existentes logo após o Big-Bang.
No próximo post falarei pois
de partículas, não esquecendo o tema da verificabilidade das teorias posto por
Rui Gil e a aceitação pragmática de
modelos matemáticos que nos proporcionam vantagens técnicas, tema abordado por
Leftwing.
Excelentes interlocutores
Por uma questão de visibilidade, não posso
deixar de reproduzir aqui os excelentes comentários que o último pos